Mercado fechado

Ibovespa fecha em queda após sinais de desaceleração da economia

Marcelle Gutierrez

Pesou ainda o temor global relacionado ao coronavírus Os sinais de desaceleração da economia brasileira no fim de 2019, com risco de uma retomada mais lenta que o esperado da atividade, se aliaram com o temor global relacionado ao coronavírus, levando o Ibovespa de volta para o patamar dos 114 mil pontos. Durante a semana, o índice chegou a retomar os 116 mil pontos com recuperação dos preços das commodities e balanços de companhias brasileiras, mas perdeu fôlego nos dois últimos pregões.

Hoje, o Ibovespa fechou em baixa de 1,11%, aos 114.381 pontos, após ajustes. Na semana, contudo, ainda acumula alta de 0,54%. Em 2020, o Ibovespa cai 1,09%. Nessa sessão, o volume financeiro somou R$ 14,8 bilhões, abaixo da média diária de fevereiro, em torno de R$ 20 bilhões.

O que assusta os mercados desde ontem é a mudança na metodologia de diagnósticos do coronavírus, que fez suscitar dúvidas sobre a credibilidade dos dados divulgados pela China e possíveis impactos mais fortes sobre a economia daquele país. Com a alteração, o número de mortos saltou para 1.380 e o de infectados para 63.851. As incertezas e efeitos sobre a economia mundial geram uma onda de aversão ao risco, o que inclui países emergentes.

O Brasil, contudo, sofreu hoje mais do que seus pares emergentes e latino-americanos, devido a divulgação hoje do IBC-Br. Conhecido como uma prévia do PIB, o indicador recuou 0,27% em dezembro na comparação com novembro, o que levanta dúvidas sobre a real recuperação da economia brasileira.

Enquanto o Ibovespa caiu 1,11% hoje, um dos principais fundos de índice (ETF) de emergentes negociado em Nova York, fechou em alta de 0,04%. Entre os latino-americanos, o S&P/BMV IPC, do México, caiu 0,07%, o Inter 10, do Chile, teve baixa de 0,23% e o Colcap, da Colômbia, subiu 0,08%.

Dólar dispara para R$ 4,38 e BC intervém

Durante a semana, a recuperação dos preços do petróleo e do minério de ferro impulsionaram os papéis da Vale e Petrobras, o que deu certa força ao índice. Hoje, porém, o movimento não se repetiu.

O petróleo fechou em alta de 1,73%, a US$ 57,32 por barril, o contrato Brent para abril. Na contramão, Petrobras PN e ON caíram 1,01% e 0,97%, respectivamente. Na semana, os papéis ainda acumulam valorizações de 1,69% e 0,51%.

O minério de ferro subiu 0,12%, para US$ 88,67 a tonelada, mas Vale ON recuou 2,19%. Na semana, o papel tem queda de 2,11%.

O mercado opera agora na expectativa da divulgação dos balanços dessas empresas referente ao quarto trimestre de 2019, que acontecem na próxima semana. Petrobras reporta seus números na quarta-feira (19) e Vale na quinta-feira (20).

Os bancos também deram certo fôlego ao índice nessa semana, principalmente os papéis de Itaú Unibanco e Banco do Brasil, que divulgaram lucro líquido de R$ 7,296 bilhões e R$ 4,62 bilhões de outubro a novembro do ano passado.

A dinâmica positiva, entretanto, não se confirmou até o fim da semana. Após ter subido 2,3% na terça-feira (11), Itaú Unibanco PN fechou hoje em baixa de 1,69%. Assim, a alta da semana quase foi anulada e acumulou 0,30%.

O Banco do Brasil chegou a subir 4,5% também na terça-feira (11), na expectativa do mercado de números positivos, mas encerrou o pregão de hoje em baixa de 1,91%. Na semana, a alta é de 0,50%.

Ralph Orlowski/Bloomberg