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Ibovespa fecha em queda após tombo da véspera no exterior

Marcelle Gutierrez

A queda acentuada no exterior vista no pregão de ontem refletiu hoje no Ibovespa .

O Ibovespa encerrou a semana com queda de 1,95%, interrompendo uma sequência de três semanas consecutivas de valorização. O desempenho mais forte foi no período encerrado em 5 de junho, quando o Ibovespa acumulou ganhos de 8,28%.

Somente hoje, o índice fechou em baixa de 2,00%, aos 92.795 pontos, após ajustes. Na mínima do dia, de 90.811 pontos, o Ibovespa teve um desempenho ainda pior, com queda de 4,09%. Na máxima, o índice alcançou 94.703 pontos (0,02%). O volume financeiro totalizou R$ 27,3 bilhões.

O forte viés comprador na bolsa brasileira visto no início do mês de junho foi motivado pelo cenário mundial de maior apetite ao risco, com excesso de liquidez, taxas de juros baixas e dados econômicos melhores do que o esperado. A reabertura das economias e o menor temor com uma segunda onda de contágio também animaram os investidores. Em um curto período, sete pregões, o Ibovespa saltou do nível dos 86 mil para 97 mil pontos.

Nesta semana, o movimento foi de realização de lucros após o rali e de maior cautela por parte do investidor. Desta vez motivada por sinalizações do Federal Reserve (Fed) mais negativas sobre a economia americana e preocupações com uma segunda onda de contágio pela covid-19. Nos Estados Unidos, o número de casos superou os 2 milhões e o de mortes passou de 110 mil.

A divulgação destes dados levou os índices acionários americanos a forte perdas, de 6,9% o Dow Jones, por exemplo, ontem. Por aqui, os mercados estavam fechados por conta do feriado de Corpus Christi ontem e a reação veio somente hoje.

Hoje, ao contrário do Ibovespa, que fechou no negativo, o Dow Jones subiu 1,90% e o S&P 500 teve um avanço de 1,31%.

A recuperação nesta sessão dos índices americanos mostra que a derrocada de ontem foi um movimento de ajuste e não uma inversão de tendência, que poderia indicar que os mercados voltariam aos patamares vistos em março, diz Raphael Guimarães, operador da RJ Investimentos. “A queda hoje do Ibovespa precificou a queda no exterior e não vimos nada além de ajuste”, comenta.

Um gestor, que prefere não ser identificado, comenta que a perspectiva ainda é positiva para o Ibovespa no curto prazo, tanto que a queda de hoje foi menor do que a vista ontem no exterior.

O volume financeiro negociado no dia também foi forte, de R$ 27,3 bilhões, um pouco acima da média diária de junho, de R$ 25,5 bilhões, e bem superior a do ano, de R$ 20,3 bilhões.

O papel mais negociado foi Petrobras PN, com R$ 2,39 bilhões, seguido por Vale ON (R$ 1,65 bilhão) e Bradesco PN (R$ 1,59 bilhão).

Os papéis PN da estatal petroleira fecharam em queda de 3,74% e a ON em baixa de 3,54%, com volume de R$ 559,8 milhões. A desvalorização em Petrobras acompanhou os contratos futuros do petróleo, cujo contrato para agosto do Brent, preço de referência da Petrobras, subiu hoje 0,46%, a US$ 38,73 o barril, mas acumularam queda de 7,5% na semana. Na semana, Petrobras PN caiu 6,92% e a ON recuou 7,00%.

O medo de uma segunda onda da pandemia nos Estados Unidos também afeta os preços da commodity, já que poderia levar a novos bloqueios e, consequentemente, à redução da demanda por petróleo no principal país consumidor.

Vale lembrar também que os preços do petróleo dispararam 133% em seis semanas, para perto dos US$ 40 o barril, uma retomada rápida, considerando que a demanda deve continuar fraca nos próximos meses.

Andre Penner/AP