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Ibovespa fecha em queda de 2,41% com reação negativa ao anúncio do governo

Marcelle Gutierrez
·3 minutos de leitura

Índice passou a cair após divulgação do programa Renda Cidadã e destoou da retomada dos mercados no exterior O anúncio do Renda Cidadã penalizou a bolsa brasileira, que registrou o menor nível desde 10 de junho e destoou da retomada praticamente generalizada no exterior. O tom negativo veio do fato de o novo programa social não vir acompanhado de um corte de gastos, mas sim de um remanejamento de recursos. Assim, a instabilidade das contas públicas permanece. O estresse também foi forte nos juros de longo prazo, o que reflete no valor (“valuation”) das empresas listadas. Dólar dispara com reação à proposta do Renda Cidadã e obriga ação do BC Após ajustes, o Ibovespa fechou em baixa de 2,41%, aos 94.666 pontos. Pela manhã, o índice chegou a bater a máxima dos 98.314 pontos (1,36%), em linha com o exterior e sustentado pelas ações do setor bancário. Logo após o anúncio pelo governo do programa, entretanto, o índice virou para o negativo até a mínima do dia, aos 94.371 pontos (-2,71%). O volume financeiro totalizou R$ 22,07 bilhões, acima da média diária de setembro, de R$ 19,6 bilhões, e de 2020, de R$ 20,6 bilhões. O desempenho da bolsa brasileira foi bem distinto do exterior e exatamente pelo risco fiscal, que ronda o mercado desde meados de agosto. “Hoje foi um dia emblemático, com recuperação técnica no exterior, todos os emergentes performando bem, menos o Brasil. E houve maior estresse ainda no câmbio”, afirma Jorge Oliveira, sócio e gestor de renda variável da BlueLine Asset, reiterando que é exatamente o risco político e fiscal que deixa a gestora em uma posição de cautela com a bolsa brasileira, com apenas cerca de 2,5% dos recursos do fundo multimercado. Já outros 10% a 12% estão em bolsas no exterior, principalmente Ásia. Enquanto o Ibovespa caiu 2,41% hoje, o Dow Jones subiu 1,51% e o S&P 500 teve alta de 1,61%. Entre os pares latino-americanos, o S&P/BMV IPC, do México, avançou 1,77%. “Entrou em uma discussão mais perigosa hoje e qualquer vacilada pode mexer na LRF [Lei de Responsabilidade Fiscal]”, diz Oliveira, referindo-se à criação do programa Renda Cidadã e discussões no governo de limitação do gasto da União com precatórios em 2% da receita corrente líquida. O risco fiscal, enfatiza o gestor da Blueline, também resulta em uma elevada inclinação da curva de juros, que afeta o valuation das empresas listadas, já que é o juros longo utilizado para cálculo pelo método de fluxo de caixa descontado. Hoje, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 saltou de 6,22% para 6,56% e o DI para janeiro de 2027 de 7,21% para 7,56%. O economista Gustavo Bertotti, da Messem Investimentos, afirma que o anúncio hoje foi um “balde de água fria” no mercado, que esperava cortes de gastos, sinalizações sobre a reforma tributária, que não vieram, ou novas fontes de receita. “Isso não resolve o problema. Foi apenas um remanejamento, além da questão dos precatórios abrir um precedente jurídico.” Bertotti lembra que o governo do presidente Jair Bolsonaro iniciou bem, com a reforma da Previdência, por exemplo, mas agora segue por outro caminho e um discurso voltado para a popularidade. “Não era o que o mercado esperava e foi uma solução que o Brasil já adotou algumas vezes. É complicado”, afirma. As ações do setor bancário, que chegaram a subir 6% pela manhã, caso das units do Santander, com relatório do Bank of America (Bofa) e relatório de crédito do Banco Central, também perderam força. Santander units encerrou o pregão em alta de 2,10% e Banco do Brasil subiu 0,69%, enquanto Bradesco ON recuou 0,92%, Bradesco PN (-0,30%) e Itaú Unibanco (-0,04%). Pixabay