Mercado fechado

Ibovespa fecha em alta puxada por salto de Copel após titubear com petróleo

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira, com as ações da Copel disparando mais de 20% em meio a planos de privatização para a companhia elétrica paranaense, enquanto persistem preocupações com o rumo fiscal do país e novos surtos de Covid na China adicionam receios sobre a atividade econômica mundial.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,81%, a 109.748,18 pontos. Na máxima, chegou a 110.235,29 pontos e na mínima, quando sofreu com o tombo do petróleo que afetou Petrobras, atingiu 107.957,01 pontos. O volume financeiro alcançou 31,6 bilhões de reais.

Para Marco Ribeiro Noernberg, sócio e chefe de renda variável na Manchester Investimentos, a bolsa experimentou uma correção técnica, ajudada por discurso do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva "mais amigável ao mercado" no fim de semana, afirmando que a responsabilidade fiscal é importante.

Após uma semana "bem ruim" para ativos brasileiros, Noernberg avaliou que também corroboraram o repique as movimentações em torno da PEC da Transição, que visa excluir da regra do teto de gastos os desembolsos com o Bolsa Família e faz outras mudanças orçamentárias, sugerindo desidratação do texto original.

Na visão de Alvaro Feris, especialista da Rico Investimentos, apesar da alta na sessão, o sentimento ainda é de cautela, com investidores aguardando o desenrolar da questão fiscal do país com o desenrolar da PEC de Transição e escolha da equipe econômica, que deverá ocorrer ainda nessa semana.

"Ambos os temas têm trazido volatilidade ao mercado brasileiro e o cenário político deve seguir no radar nas próximas semanas", afirmou.

Estrategistas do Morgan Stanley cortaram para "neutra" a recomendação das ações brasileiras, citando crescentes riscos fiscais em 2023, enquanto veem os últimos eventos reduzindo as chances de uma nomeação ortodoxa para comandar o ministério da Fazenda.

No exterior, surtos de Covid-19 da China, com os novos casos aproximando-se dos picos de abril, pesaram nos mercados, minando expectativas de uma flexibilização nas rígidas restrições tomadas pelo governo chinês contra a pandemia e reavivando temores sobre o crescimento da segunda maior economia do mundo.

Wall Street fechou no vermelho, também refletindo um certo melindre antes da ata da última decisão de juros do Federal Reserve, que será divulgada na quarta-feira, em meio a sinais divergentes sobre os próximos passos do banco central dos Estados Unidos.

DESTAQUES

- COPEL PNB disparou 22,07%, a 8,74 reais, tendo tocado uma máxima intradia histórica a 9,12 reais no melhor momento, após o governo do Paraná, seu controlador, comunicar sobre a intenção do Estado de transformar a elétrica em companhia de capital disperso, sem acionista controlador. Na prática, a mudança significa uma privatização da companhia. A notícia contagiou outras estatais, como Cemig PN, que fechou em alta de 7,54%, e Sabesp ON, que encerrou com elevação de 7,32%.

- MAGAZINE LUIZA ON valorizou-se 7,3%, a 3,38 reais, em meio a ajustes após uma queda de quase 9% acumulada na semana passada, com agentes financeiros atentos ao movimento da Black Friday nos próximos dias. No setor, VIA ON avançou 3,62% e AMERICANAS ON subiu 2,29%.

- PETROBRAS PN fechou em alta de 0,3%, a 26,78 reais, após cair a 26,05 reais na mínima, quando os preços do petróleo afundaram na esteira de notícia do Wall Street Journal de que a Arábia Saudita e outros membros da Opep estão discutindo aumento da produção. No pior momento, o Brent chegou a 82,31 dólares o barril, mas desacelerou a perda no final, conforme o ministro da Energia saudita negou discussão sobre aumento da produção. O avanço de Petrobras vem após mais uma semana negativa para o papel, a quarta consecutiva, reflexo de incertezas sobre a estratégia da companhia a partir do próximo ano. Fontes afirmaram à Reuters que Lula marcou para esta semana as primeiras conversas com candidatos à presidência da petrolífera.

- VALE ON caiu 1,13%, a 79,92 reais na esteira do recuo dos preços do minério de ferro por causa de preocupações com os surtos de Covid na China e mudança de imposto na Índia, embora a ação tenham fechado distante da mínima, quando chegou a 78,28 reais. Na Dalian Commodity Exchange, o contrato futuro mais negociado do minério de ferro chegou a cair 2,6%, mas reduziu a perda e fechou em 745,5 iuans (104,10 dólares) a tonelada.

- ITAÚ UNIBANCO PN terminou com variação positiva de 0,3%, a 26,72 reais, perdendo fôlego durante a sessão, e BRADESCO PN reverteu a alta, encerrando com decréscimo de 0,7%, a 15,5 reais.

- SUZANO ON recuou 2,87%, a 55,92 reais, afetada pelas preocupações sobre a atividade econômica global, bem como pela queda do dólar em relação ao real nesta sessão. No setor, KLABIN UNIT cedeu 3,13%, a 21,37 reais.