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Ibovespa fecha em alta impulsionado por bancos e exportadoras

Marcelle Gutierrez

Bolsa fechou em alta de 0,89%, aos 93.829 pontos Ainda que não tenha mantido o fôlego dos três primeiros pregões de junho, o Ibovespa fechou novamente em alta impulsionado na reta final pelas ações de bancos e exportadoras. Em meio a esse cenário positivo, destaque para Via Varejo, um dos papéis mais negociados do dia, com a confirmação de uma oferta subsequente de ações.

Após ajustes, o Ibovespa fechou em alta de 0,89%, aos 93.829 pontos. Pela manhã, o índice chegou a mínima dos 92.221 pontos (-0,84%) e, por volta das 15h, foi à máxima de 94.132 pontos (1,21%).

“Acredito que hoje não ocorreu uma realização de lucros, mas sim um dia de ponderação sobre o que aconteceu nos últimos pregões, principalmente porque não há novidades no noticiário”, comenta Filipe Villegas, estrategista da Genial Investimentos.

Segundo ele, o movimento visto nos últimos dias segue o mesmo, com excesso de liquidez em um cenário de taxa de juros baixa. “O investidor busca oportunidades em empresas que ficaram para trás.”

E essa busca por ações depreciadas é o que justifica a valorização do setor bancário e das exportadoras.

Os papéis dos bancos abriram em baixa, mas se firmaram no positivo após o UBS revisar para cima o preço-alvo, mantendo a recomendação de compra. Para Itáu, o UBS elevou de R$ 27 para 32, Bradesco subiu de R$ 27 para R$ 28, enquanto para Santander a recomendação foi mantida em neutra, mas o preço-alvo passou de R$ 30 para R$ 32.

Segundo o UBS, o lucro por ação dos bancos deve cair 34% este ano, mas subir 40% em 2021.

Itaú Unibanco PN subiu 2,89%, Bradesco ON (0,40%), Bradesco PN (1,44%), Santander units (3,57%) e Banco do Brasil ON (0,55%).

Mesmo com a recuperação recente, os papéis acumulam perdas em 2020. BB ON cai 33,06%, Bradesco PN (-33,00%), Bradesco ON (-35,08%), Itaú Unibanco (-25,05%) e Santander units (-35,39%).

Entre as exportadoras, enquanto o Ibovespa avançava mais de 6% em junho, Minerva ON recuava 7% até ontem e JBS ON tinha baixa de 6,2%. Hoje, essas ações figuraram entre as maiores altas do Ibovespa, com ganhos de 7,31% e 4,22%, respectivamente. Aqui houve também ajuda do dólar, em alta de 0,73%, a R$ 5,1297.

Vale ON também fechou com forte valorização, de 3,73%, o que contribuiu para o Ibovespa fechar no azul.

O volume financeiro do Ibovespa totalizou R$ 24,325 bilhões, acima da média diária de 2020 de R$ 20 bilhões.

Entre os papéis mais negociados, destaque para Via Varejo ON, com R$ 1,7 bilhão, e alta de 3,49%.

A empresa anunciou oferta subsequente de ações, que será, inicialmente, de 220 milhões, podendo ser elevada em até 35%, ou 77 milhões. Desta forma, com base no preço de fechamento de ontem, a captação pode ficar entre US$ 2,97 bilhões e R$ 4 bilhões.

Segundo analistas e gestores consultados pelo Valor, a oferta já era esperada para logo após a divulgação do balanço do primeiro trimestre, mas foi adiada por conta da pandemia.

Para eles, haverá demanda devido a forte liquidez vista nos mercados nos últimos dias, expectativa de retomada da economia após a pandemia, e no próprio perfil da Via Varejo, do setor de comércio eletrônico e uma das apostas do mercado desde o ano passado. O cenário de taxa de juros baixa também favorece investimentos em renda variável.

“Demanda vai ter”, diz um gestor, que prefere não ser identificado. Segundo ele, o setor de comércio eletrônico teve forte demanda durante a pandemia e, no caso da Via Varejo, o papel está mais barato do que as pares B2W e Magazine Luiza.

Já para outro gestor, a expectativa do mercado com a oferta era de até R$ 3 bilhões e a possibilidade de chegar a R$ 4 bilhões indica que há demanda. Outro ponto importante, segundo ele, é o amplo sindicato de bancos que compõem a oferta, com Bradesco BBI, BTG Pactual, Banco do Brasil, Bank Of America, Santander, Safra e XP.

Outro ponto favorável para a oferta e que justifica a alta hoje é a necessidade da empresa de recompor caixa e investimentos, principalmente em tecnologia e logística. “No curto prazo, uma oferta gera pressão e volatilidade por dúvidas relacionadas a demanda. No médio e longo prazo é bem-vinda, pois vai deixar a empresa em condições de liquidez”, comenta Filipe Villegas, estrategista da Genial Investimentos.

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