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Ibovespa fecha em alta com Selic historicamente baixa

Marcelle Gutierrez

Dia foi positivo para o mercado acionário local, a despeito do risco político com a prisão de ex-assessor de Flávio Bolsonaro e a saída de ministro da Educação O dia foi positivo para o Ibovespa, a despeito do risco político, com a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, e saída de mais um ministro, o da Educação. A explicação está na redução da taxa básica de juros (Selic) para 2,25% ao ano, com possibilidade de mais cortes, o que não deixa outra opção ao investidor a não ser os ativos reais, como a bolsa.

Após ajustes, o Ibovespa fechou em alta de 0,60%, aos 96.125 pontos. Da mínima à máxima, foi dos 94.698 pontos (-0,89%) aos 97.110 pontos (1,63%).

Este foi o terceiro pregão consecutivo de ganhos no Ibovespa, que acumula na semana uma alta de 3,59% e, em junho, de 9,98%. Ainda assim, o índice recua 16,9% em 2020.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou ontem a Selic em 0,75 ponto percentual, para 2,25% ao ano. Apesar de a redução já ser esperada, a autarquia deixou espaço para outros cortes, ainda que residuais, a depender da evolução da pandemia e efeitos econômicos.

Entre as consequências da queda dos juros no Brasil, a primeira está no aumento da alocação de investimentos em bolsa. Isto é, na busca por maior rentabilidade, os investidores migram da renda fixa para renda variável.

Além disso, juro baixo é benéfico para as empresas, com redução do custo das dívidas e da captação de recursos para investimentos.

Em relatório, a XP Investimentos destaca ainda que, pela primeira vez na história, o rendimento dos dividendos das empresas do Ibovespa supera a Selic, ficando em 4%.

Segundo a analista Betina Roxo, apesar da redução das estimativas dos lucros das empresas neste ano e, consequentemente, do pagamento dos dividendos (em -17% até o momento), os juros continuam em queda. “Com os rendimentos de dividendos acima da taxa de juros para algumas empresas, os investidores ainda possuem uma ‘garantia’ de retorno, além de seus ganhos com a performance da ação.”

Julio Bittencourt/Valor

Apesar do cenário benéfico para a bolsa, com juro baixo, o risco político e a pandemia continuam no radar. Assim, os investidores seguem em bolsa, mas buscam proteção, como no dólar. Prova disso está no desempenho da moeda americana, que subiu 6,52% nesta semana e avançou 2,07% hoje, a R$ 5,3698.

Os novos capítulos hoje na política foram a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar de Flavio Bolsonaro, e o anúncio da demissão do ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Entre os fatos complicadores destas notícias, profissionais do mercado mencionaram o fato de Queiroz ter sido preso na casa do advogado da família Bolsonaro, Frederic Wassef, e Weintraub ser o quarto ministro que deixa o governo nos últimos meses.

O volume financeiro negociado hoje no Ibovespa totalizou R$ 21,6 bilhões, e o papel mais negociado foi Itaú Unibanco PN, com R$ 1,5 bilhão.

A ação também ficou entre as maiores altas do índice, com avanço de 3,92%, junto com BTG Pactual units (9,12%) e Cielo ON (8,69%).

O setor financeiro foi beneficiado hoje pelo cenário de baixa dos juros, e busca dos investidores por oportunidades de compra de papéis mais baratos e aqueles mais resilientes à crise do coronavírus.

No caso de BTG Pactual e Itaú Unibanco há uma correlação com a XP Investimentos, cuja ação negociada na Nasdaq subiu 3,91% hoje e avança 130% em três meses.

A justificativa para a alta dos papéis da XP e, por aqui, do BTG, está na perspectiva de crescimento das plataformas de investimento, principalmente com o aumento da demanda de pessoa física em um cenário de Selic historicamente baixa, com previsão de uma redução adicional em agosto.

O Itaú Unibanco é acionista da XP com 46%, podendo se beneficiar do crescimento da empresa.

Cielo teve o quarto pregão consecutivo de ganhos, favorecida pela parceria com o Whatsapp para fornecer no Brasil um serviço de pagamento e transferência de dinheiro pelo aplicativo.