Mercado fechado

Ibovespa fecha em alta com bancos antes de decisões de juros de EUA e Brasil

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, apoiado no avanço de ações de bancos, no fim de uma sessão volátil, em véspera de decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, com a queda dos papéis da Vale atuando como contrapeso.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,62%, a 112.516,91 pontos, indo da mínima de 111.393,16 pontos à máxima de 112.543,88 pontos. O volume financeiro da sessão somou 26,5 bilhões de reais.

Na visão de Fabrício Gonçalvez, presidente-executivo da Box Asset Managemet, a expectativa "super quarta" ditou cautela nos negócios. O avanço das ações dos bancos fez a diferença.

Na quarta-feira, o Federal Reserve anuncia às 15h (horário de Brasília) a nova taxa de juros norte-americana. A expectativa majoritária é de nova alta de 0,75 ponto percentual, para a faixa de 3% a 3,25%, mas há apostas de um aperto mais forte.

Além da decisão, os investidores aguardam a fala do chair do Fed, Jerome Powell, bem como nas projeções econômicas do órgão, em particular o chamado "dot plot" (gráfico de pontos), que mostra estimativas de membros do Fed sobre em que ponto a taxa de juros deve estar ao fim de 2022 e nos anos seguintes.

Em Wall Street, o S&P 500 fechou em baixa de mais de 1%, refletindo cautela antes do desfecho do encontro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed.

Também na quarta, após o fechamento do mercado, o BC no Brasil divulga decisão sobre a Selic. Neste caso, a aposta majoritária de manutenção da taxa em 13,75% ao ano, na primeira pausa no ciclo de altas que começou em março do ano passado.

De acordo com Leandro De Checchi, analista da Clear Corretora, as decisões de política monetária na quarta-feira devem direcionar o apetite ao risco nos próximos dias.

DESTAQUES

- ITAÚ UNIBANCO PN subiu 3,32%, a 28,60 reais, e BRADESCO PN avançou 3,23%, a 20,16 reais, em sessão bastante positiva para a maioria dos bancos. O índice do setor financeiro fechou com acréscimo de 2,64%, apoiado ainda em B3 ON, que ganhou 3,18%.

- VALE ON caiu 1,43%, a 69,45 reais, tendo de pano de fundo a queda dos preços de minério de ferro e aço na China, que pressionou também papéis do setor. CSN ON perdeu 3,89%, CSN MINERAÇÃO ON caiu 0,56%, USIMINAS PNA recuou 2,73% e GERDAU PN fechou com declínio de 0,9%.

- PETROBRAS PN caiu 0,58%, a 31,09 reais, sucumbindo ao declínio do petróleo Brent. Na primeira etapa da sessão, a ação chegou a subir cerca de 1%. A estatal disse que iniciou a fase vinculante da venda de 40% da sua fatia das concessões em águas profundas na Bacia Potiguar - Margem Equatorial, no Rio Grande do Norte.

- CARREFOUR BRASIL ON fechou com elevação de 4,06%, a 21,51 reais, enquanto o rival GPA ON subiu 2,06%, a 21,83 reais.

- EMBRAER ON subiu 3,78%, a 13,99 reais. A fabricante de aviões anunciou que assinou acordo para compra de fatia minoritária na empresa de drones XMobots.

- ECORODOVIAS ON recuou 4,39%, a 5,45 reais, após duas sessões de alta, depois do tombo na quinta-feira passada quando venceu o leilão de concessão pelo lote rodoviário noroeste paulista, com um valor de outorga fixa de 1,236 bilhão de reais. No setor, CCR ON cedeu 0,8%.

- YDUQS ON avançou 3,41%, a 12,72 reais, ampliando a alta da véspera, quando disparou 14,1%. O grupo de educação aprovou a captação de 500 milhões de reais por meio da emissão de debêntures simples com prazo de cinco anos. Investidores também estão atentos a eventuais estímulos públicos para a área da educação no caso de vitória de Lula. No setor, COGNA ON perdeu 2,14%.

- ROSSI ON desabou 10,79%, a 2,81 reais, com a construtora pedindo recuperação judicial depois de vários anos de fragilidade financeira, com caixa quase vazio e dívidas de aproximadamente 600 milhões de reais.