Mercado fechado

Ibovespa fecha em alta com valorização de bancos

Lucas Hirata
·3 minutos de leitura

Ações do setor bancário tiveram uma recuperação parcial, depois de ficarem para trás do mercado como um todo Em um dia de poucas novidades vindas de Brasília, o Ibovespa encontrou espaço para fechar em forte alta com valorização de papéis com grande peso no índice. Além do firme avanço de Petrobras e Vale, o destaque foi o avanço das ações do setor bancário, em uma recuperação parcial, depois de ficarem para trás do mercado como um todo. O Ibovespa subiu 2,51%, aos 97.920 pontos, após ajustes, bem perto da máxima no dia, de 97.938 pontos. O giro financeiro foi de R$ 21 bilhões, ligeiramente acima da média diária no ano, de R$ 20,5 bilhões. Com isso, o índice volta aos patamares de duas semanas atrás, ou seja, antes de o governo anunciar o programa Renda Cidadã com a ideia de financiá-lo com recursos do pagamento de precatórios e do Fundeb. Depois de dias de grande estresse no mercado, a equipe econômica e os aliados do presidente Jair Bolsonaro têm mudado o discurso e agora buscam reforçar o compromisso com o controle fiscal. Inclusive, o ministro da Economia, Paulo Guedes, rejeitou a ideia de estender o estado de calamidade ou o auxílio emergencial para 2021. Embora esse seja um bom sinal, gestores e analistas afirmam que a situação fiscal está longe de ser resolvida e a indefinição ainda cobra um preço alto dos ativos locais. “A postura do ministro sobre o estado de calamidade ou o auxílio emergencial é positiva. Não dá para vender um programa social sem saber como vai ser financiado. É justamente isso que vinha causando tanto estresse mercado. É melhor verificar outras fontes de custeio, como reformas, privatizações e redução de gastos”, explica um profissional. De qualquer maneira, os preços dos ativos ainda mostram que o investidor está bastante preocupado com o rumo das contas públicas. “Pior desempenho entre as bolsas do mundo, câmbio a R$ 5,60 e juro longo perto de 8%. Os preços dos ativos mostram um grande risco de uma ruptura fiscal”, explica Thomas Souza, gestor da Atlas One. Para ele, é justamente o cenário macroeconômico que pesa na bolsa, já que as empresas estão em uma situação muito positiva, o que deve se traduzir nos resultados deste segundo trimestre. “O micro está excepcional, mas o macro ainda pesa”, afirma. O que impulsiona o Ibovespa hoje foram ações de bancos, justamente por causa da perspectiva positiva para os balanços do terceiro trimestre de 2020. As units do Santander marcaram a segunda maior alta do Ibovespa, com avanço de 8,11%, seguidas por Itaú Unibanco (6,04%), Bradesco ON (5,67%). Bradesco PN teve alta de 5,14%. Em 2020, as ações apresentam quedas acumuladas de quase 40%, ante uma desvalorização de 15% do Ibovespa. Assim, investidores aproveitam a oportunidade de compra, principalmente após a divulgação de um relatório positivo do UBS BB, que aponta crescimento do lucro por ação de 16% no terceiro trimestre ante o segundo trimestre de 2020. Outro fator positivo para os balanços é a redução das despesas com provisão sobre carteira de crédito – o custo de risco – de 6% no segundo trimestre para 5% no terceiro. Esse processo deve favorecer principalmente Bradesco e Santander Brasil, na avaliação dos analistas do UBS BB. Dentre as bluechips, Petrobras ON subiu 3,42% enquanto a PN avançou 3,28%. Já a Vale ON ganhou 1,86%. A maior alta do dia veio com o IRB ON com avanço de 20,19%, ainda sob bastante volatilidade. Pixabay