Mercado fechará em 1 h

Ibovespa fecha em alta com influência do exterior, mas bancos pressionam

Ana Carolina Neira

Índice encerrou o dia leve alta de 0,67%, aos 95.975 pontos O mês de junho ainda não terminou, mas já exibe claros sinais do efeito positivo da redução da Selic para níveis historicamente baixos e do excesso de liquidez global sobre os mercados. Hoje, em um dia marcado pela busca global por ativos de risco, com investidores mais otimistas em torno da recuperação das economias e também com a relação entre Estados Unidos e China, o tom mais favorável permitiu justamente que os agentes aproveitassem tais condições para comprar ativos locais.

Após ajustes, o Ibovespa encerrou o dia em alta de 0,67%, aos 95.975 pontos e um giro financeiro de R$ 20,3 bilhões, pouco abaixo da média diária dos pregões de 2020.

Algumas horas antes do fechamento do pregão, o índice acabou perdendo força após o anúncio de novas medidas para liberação de crédito represado a micro e pequenas empresas. A medida não agradou aos investidores, que enxergam uma interferência indesejada do governo federal na questão e terminaram o dia com mais cautela e desmontando posições no setor bancário, com forte peso no Ibovespa.

Itaú PN (-1,25%), units do Santander (-1,33%) e Bradesco PN (-0,14%) fecharam em queda, enquanto BB ON (0,75%) e Bradesco ON (0,10%) exibiam leve alta.

Mas, apesar deste movimento pontual no setor, o dia foi especialmente positivo para as ações ligadas a commodities, que aproveitaram o clima positivo no exterior e a expectativa de retomadas bem-sucedidas para as economias globais. Assim, fecharam em alta Petrobras (2,74% a ON e 3,20% a PN), Vale ON (0,98%) e as siderúrgicas Usiminas PNA (10,20%), Gerdau PN (1,84%), Gerdau Metalúrgica PN (2,58%) e CSN ON (2,34%).

Além da valorização firme da bolsa neste mês (9,81%) no período, também chama a atenção o fluxo positivo vindo do exterior para a bolsa de valores. Se esse movimento prosseguir, será o primeiro mês com saldo positivo do capital externo na bolsa desde setembro de 2019.

De acordo com os dados divulgados pela B3 até o dia 19, o saldo de junho é positivo em R$ 3,2 bilhões, indicador que manteve-se positivo durante todo o mês. Os números não traduzem uma mudança definitiva de comportamento para essa classe de investidor, mas é algo relevante, já que isso não acontecia desde setembro do ano passado, período encerrado com um aportes de R$ 425,8 milhões.

No mercado futuro, o saldo atual está positivo em torno de R$ 1,5 bilhão. Ou seja, o investidor está ampliando liquidamente sua posição em bolsa.

Em grande medida, esse movimento pode ser explicado pelos preços atrativos das ações brasileiras, num momento em que sobra liquidez no mundo depois da forte atuação dos bancos centrais, inclusive o brasileiro, que segue cortando a taxa Selic.

"O saldo no ano ainda é muito negativo, mas há uma tendência de melhora e interesse por Brasil por esse dado", diz Gustavo Akamine, analista fundamentalista e gestor de recursos da Constância Investimentos.

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