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Ibovespa fecha em alta após dados positivos nos EUA

Marcelle Gutierrez

Após ajustes, o Ibovespa fechou em alta de 0,86%, aos 94.637 O Ibovespa conquistou seu sexto pregão consecutivo de valorização e o melhor desempenho semanal desde o início de abril, com uma alta de 8,28%. Ainda assim, o índice tem queda de 18,2% em 2020.

O cenário mundial de excesso de liquidez e taxa de juros baixa deixa o mercado mais propício ao risco, animado ainda por dados econômicos que indicam que a recuperação da economia global tende a ser em “V”. A bolsa brasileira também foi uma das que mais sofreu com a crise do coronavírus, o que a deixa chamativa em termos de preço. A recuperação dos preços das commodities, principalmente do petróleo, também é uma justificativa.

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Logo após a abertura hoje, este cenário favorável levou o Ibovespa aos 97.356 pontos na máxima do dia (3,76%). Na última hora de negócios, sem motivo aparente, o índice perdeu fôlego e fechou nos 94.637 pontos, uma alta de 0,86%, após ajustes.

Apesar da desaceleração, o movimento comprador foi forte, com volume financeiro total do índice de R$ 29,98 bilhões, bem acima da média diária de 2020, de R$ 19,9 bilhões.

A explicação para a forte retomada da bolsa brasileira está na liquidez do mercado e taxas de juros baixas, após medidas de estímulo monetárias e fiscais contra a pandemia, não deixando outra opção ao investidor a não ser tomar mais risco para obter maior retorno.

E o mercado atrativo no momento parece estar no Brasil, com preços mais baixos após apresentar o pior desempenho entre os pares globais no ápice da crise. Em março, o Ibovespa recuou 51,05% em dólar e, em 2020, até maio, a queda foi de 43,9%. O desempenho é bem pior do que o México, por exemplo, que recuou em dólar 28,8% em 2020 até maio.

Em valor de mercado, o Ibovespa perdeu R$ 1,82 trilhão do pico dos 119 mil pontos (R$ 4,07 trilhões) em 23 de janeiro ao vale dos 63 mil pontos em 23 de março (R$ 2,25 trilhões). Hoje, o valor de mercado chegou a R$ 3,3 trilhões, conforme levantamento do Valor Data, uma recuperação de R$ 1,05 trilhão.

Em relatório divulgado nesta semana, o Goldman Sachs destacou o Ibovespa como o preferido entre o mercado acionário dos emergentes, já que as ações têm apresentado o pior desempenho desde janeiro, “oferecendo a melhor oportunidade de recuperação se o sentimento de retomada do risco global persistir”.

Também segundo o banco, a América Latina é a região com maior espaço para melhora no cenário global de crescimento e avanço das commodities.

Outro dado positivo que indica que a bolsa brasileira voltou a despertar atenção é do investidor estrangeiro, com fluxo líquido positivo de R$ 1,78 bilhão em junho até o dia 3, segundo dados da B3 divulgados hoje.

“É inegável que a bolsa brasileira está muito barata em dólar e pode ser o início de um novo fluxo de capital estrangeiro, o que é muito bem-vindo”, comenta José Falcão Castro, analista de investimentos da Easynvest.

Uma gestora de fundos de investimento, que prefere não ser identificada, explica que essa troca de ativos mais defensivos por aqueles mais arriscados começou com a reabertura das economias pelo mundo e com a menor preocupação de uma segunda onda de contaminações pela covid-19.

Dados econômicos que têm sido divulgados nesta semana também levam a crer que a recuperação da economia mundial será em “V”, ou seja, após uma queda rápida haverá um crescimento rápido, segundo ela.

Hoje, um dado da economia americana corroborou com esta sinalização, o payroll dos Estados Unidos, que foi surpreendentemente positivo e o responsável pelo Ibovespa atingir os 97 mil pontos pela manhã.

O Departamento do Trabalho americano informou que foram a adicionados 2,5 milhões de empregos nos EUA em maio, contrariando as expectativas de perdas de 8,3 milhões.

Os preços do petróleo também se recuperam rápido e junto levam as ações da Petrobras, que correspondem a quase 10% do Ibovespa.

O contrato para agosto do Brent avançou 5,77% hoje, a US$ 42,30 o barril, com alta de 11% na semana, diante da expectativa que os membros da Opep estendam o corte na produção em mais de 9 milhões de barris para julho. Petrobras ON avançou 3,11% e Petrobras PN subiu 3,13%.

Entre as maiores altas do Ibovespa neste pregão e na semana, destaque para as companhias aéreas e de turismo, as que mais sofreram na crise. Azul PN avançou 10,9%, Gol PN (9,74%) e CVC Brasil ON (5,61%). Nesta semana, essas são as ações que mais sobem, 48,81%, 57,86% e 47,85%, respectivamente.

“O mercado com excesso de dinheiro, precisando se posicionar em ações, procura ativos com preços atrativos mesmo sem fundamento”, explica Filipe Villegas, estrategista da Genial Investimentos.

No campo negativo figuram as exportadoras, diante da baixa de 2,66% do dólar ante o real, a R$ 4,9930. Na semana, a moeda americana caiu 6,44%.

Suzano ON teve baixa de 3,89%, Marfrig ON (-3,57%), BRF ON (-3,20%) e Klabin units (-3,09%).

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