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Ibovespa lidera perdas no semestre entre os pares

Ana Carolina Neira
·3 minutos de leitura

Índice fechou último pregão do período em baixa e após sessão marcada pela volatilidade Em um pregão marcado pela volatilidade típica de rebalanceamento de fim de períodos, o Ibovespa terminou o último pregão do primeiro semestre em queda e pressionado pelo setor bancário. Após ajustes, a baixa era de 0,71%, aos 95.056 pontos. O giro financeiro foi de R$ 21,5 bilhões, pouco acima da média dos pregões deste ano até agora, de R$ 20,4 bilhões. No fechamento, as maiores pressões vinham de BB ON (-3,92%), Bradesco (-2,86% a ON e -3,04% a PN), Itaú PN (-3,63%), Petrobras (-1,02% a ON e -0,74% a PN) e units do Santander (-2,82%). Em dia de rebalanceamento de carteiras por conta do fechamento do mês, do trimestre e do semestre, era esperado que ações de maior peso e liquidez como estas fossem alvo da revisão de estratégia dos investidores, dizem analistas. "Dias de rebalanceamento como hoje normalmente resultam em um leilão com distorções, especialmente pela atuação de fundos de maior peso no mercado", diz Raphael Guimarães, operador RJ Investimentos. No mês, os ganhos do índice chegam a 8,76%. Apesar disso, a bolsa brasileira ainda é a mais desvalorizada do semestre, em dólares, quando comparada aos demais índices emergentes e também aos Estados Unidos. A queda do Ibovespa nos seis primeiros meses de 2020 é de 39,50%, ficando à frente somente do México, que tem perdas de 29,13%. No mesmo período, a bolsa da África do Sul perde 23,10% e a da Rússia cede 21,71%. A vizinha Argentina tem desvalorização de 21,11% em seu principal índice acionário. Nos Estados Unidos, o quadro é bastante diferente, com o índice Nasdaq apontando ganhos de 12,11% no semestre, enquanto o S&P 500 recua 4,04%. Os números demonstram como a recuperação tem sido diferente para distintos mercados, após a derrocada vista em março diante dos temores em torno da coronavírus. Passado o pior momento da crise para o mercado, a análise do segundo trimestre demonstra uma recuperação para o Ibovespa, com ganhos de 23,59% no período, próximo do avanço de 30,63% da Nasdaq nestes três meses. Ainda assim, o Ibovespa segue atrás da África do Sul (25,18%) e da Argentina (45,17%), demonstrando uma recuperação ainda em curso e atrasada em relação aos demais. Na avaliação de Simone Pasianotto, economista-chefe da gestora de recursos Reag Investimentos, apesar de incentivos como os juros historicamente baixos e, notadamente, o preço barato do Ibovespa em dólares, o mercado local ainda inclui uma série de riscos que impedem que o índice avance ainda mais. "Nosso desempenho ainda está abaixo tanto de um país desenvolvido como os Estados Unidos como de outros emergentes e isso tem muita relação com o cenário político e com as respostas dadas à crise ainda em curso", diz. Para ela, o avanço recente visto no Ibovespa guarda mais relação com a robustez das empresas que integram o índice e sua saúde financeira do que com avanços na economia real, que ainda promete trazer indicadores muito ruins nos próximos meses. "Quando falamos no Ibovespa, falamos de empresas bastante sólidas e que caíram demais logo no primeiro susto com a pandemia, mas que têm capacidade de recuperação. A alta recente tem a ver com a realidade dessas empresas, não da economia em si", afirma a economista. Andre Penner/AP