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Ibovespa cai pressionado por bancos, mas mantém 100 mil pontos

Marcelle Gutierrez
·3 minuto de leitura

Safra de resultados do terceiro trimestre segue no radar Após uma abertura no positivo, o Ibovespa opera em baixa, mas se mantém no patamar dos 100 mil pontos. A pressão vem, principalmente, do setor bancário, em movimento de realização de lucros após fortes altas nos últimos dias, e das incertezas que ainda rondam o mercado, como eleições americanas na próxima semana e avanço da covid-19 no Hemisfério Norte. O Ibovespa exibia desvalorização de 0,48%, às 12h47, aos 100.528 pontos. Na mínima, o índice chegou a cair mais, 0,65%, aos 100.357 pontos. Na máxima, entretanto, subiu 0,64%, aos 101.660 pontos. O volume financeiro totalizava R$ 7,75 bilhões, um pouco fraco para o horário e com projeção de atingir R$ 19,44 bilhões até o fim do dia. Em dia de agenda esvaziada em termos de indicadores financeiros, os investidores se voltam para a temporada de resultados corporativos do terceiro trimestre, que segue até a metade de novembro. Esta safra de balanços, segundo o operador Raphael Guimarães, da Fatorial Investimentos, deve deixar o Ibovespa instável, à medida que será um novo balizador para projeção de preços das ações. “O Ibovespa novamente testa os 100 mil pontos, uma região de suporte importante e deve ficar instável nesta faixa, com o mercado procurando uma nova projeção de preços”, diz. Entre os resultados mais esperados foi divulgado hoje o do Santander, que abre a temporada dos grandes bancos. Embora o resultado tenha vindo positivo, com lucro líquido gerencial de R$ 3,902 bilhões e retorno sobre patrimônio (ROE) acima de 20%, as units caem 2,72%. A explicação está em um movimento de realização de lucros, após os papéis terem subido 25% em outubro, até o fechamento de ontem, na expectativa de números positivos. Alguns analistas também ponderam números do resultado. O BTG Pactual, por exemplo, informa que ainda “é muito difícil” ter uma boa leitura sobre a inadimplência e a provisão para devedores duvidosos (PDD) está “baixa demais”. Já o Goldman Sachs afirma que, apesar de um trimestre sólido, a expectativa é de volatilidade nos lucros do banco, "uma vez que a qualidade dos ativos deve se deteriorar quando os períodos de carência terminarem, o que pode levar a um aumento nas provisões". Ainda no setor, Banco do Brasil ON cai 1,28%, Bradesco ON (-1,21%), Bradesco PN (-1,92%) e Itaú Unibanco PN (-2,11%). Alexandre Espírito Santo, economista da Órama Investimentos, detalha que atualmente a valorização das ações depende mais dos resultados, já que há muitas incertezas no cenário macroeconômico, principalmente sobre agenda de reformas, estabilidade fiscal e avanço da economia. “É difícil imaginar que terá uma alta com todas essas interrogações”, diz. Na Órama, a projeção para o Ibovespa é de 100 a 105 mil pontos até o fim de 2020. O economista lembra ainda que a eleição presidencial americana acontece na próxima terça-feira (3), o que traz volatilidade para os mercados como um todo. “Uma disputa muito acirrada pode levar a uma judicialização, que é o grande temor. Isso deixaria todos os mercados preocupados”, diz, referindo-se a uma contestação dos resultados na Justiça. Em Nova York, o Dow Jones cai 0,19%, o S&P 500 tem leve alta de 0,11% e o Nasdaq avança 0,72%. Reprodução/Facebook