Mercado fechado

Ibovespa fecha em alta, com suporte de bancos e Petrobras

Ana Carolina Neira

Nível de juros historicamente baixo também ajuda a sustentar índice O Ibovespa encerrou o pregão de hoje em forte alta, favorecido pelo ambiente mais propenso ao risco no exterior, com suporte especial das ações da Petrobras e bancos e ainda sustentado pelo nível de juros historicamente baixo.

Após ajustes, o índice fechou com avanço de 2,03%, aos 95.735 pontos, na máxima do dia. O giro financeiro foi de R$ 17,4 bilhões, um pouco abaixo da média dos pregões deste ano, de R$ 20,4 bilhões.

Enquanto os índices globais influenciavam a bolsa brasileira após a divulgação de dados econômicos acima do esperado, o ambiente local também ganhou fôlego, especialmente durante a tarde. Os principais suportes vieram de BB ON (5,09%), Bradesco (2,52% a ON e 3,48% a PN), Itaú PN (2,99%), units do Santander (2,51%) e Petrobras (3,11% a ON e 3,93% a PN)

Os bancos passaram por um ajuste técnico após as quedas da semana passada, enquanto as ações da Petrobras subiram na esteira do avanço visto nos preços do petróleo no mercado internacional. No fechamento, o tipo WTI tinha alta de 3,14%. Já o Brent exibia ganhos de 2,2%. A alta ocorre em um momento em que os preços da commodity encontraram apoio de alguma recuperação na demanda por energia, embora ela esteja ameaçada pela possibilidade de uma segunda rodada de paralisações das atividades econômicas pelo mundo conforme o coronavírus segue avançando.

Uma questão que ronda o mercado nos últimos dias é como o Ibovespa ainda encontra espaço para avançar, dadas as perspectivas muito deterioradas para a economia global e, principalmente, local. Apesar disso, o índice sobe 9,53% no mês. Além da sustentação garantida pela taxa de juros historicamente baixa, que traz um fluxo adicional de recursos para a renda variável, o momento atual também retrata um ajuste de preço ainda baseado na derrocada vista em março. Depois de exagerar no movimento de venda, tornando a bolsa brasileira uma das mais desvalorizadas do mundo, os investidores tentam recompor os preços, avalia Enrico Cozzolino, analista de investimentos do banco Daycoval.

"Hoje os preços refletem muito mais a realidade do que há três meses. Claro que o ambiente de juros baixos no mundo todo colabora porque muitos recursos terão de migrar para a bolsa, mas o Ibovespa no patamar de 60 mil pontos era algo fora da realidade. Hoje os preços estão mais condizentes", diz.

Para ele, a única coisa ainda não precificada, capaz de arrasar não apenas o Ibovespa mas também outros índices globais seria uma segunda onda de contágios por coronavírus no mundo todo, ainda mais severa, com destaque para grandes economias como China e Estados Unidos.

"Muita coisa está precificada e caso as reaberturas sigam dando relativamente certo, se as coisas engrenarem sem novos fechamentos, aí sim podemos falar no início de uma recuperação mais consistente", afirma. O analista acredita que o atual nível da bolsa brasileira é mais condizente com a realidade, mas ainda não se trata de uma espiral de avanços capazes de levar o Ibovespa de volta aos 120 mil pontos vistos no início do semestre.

Gerd Altmann / Pixabay