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Ibovespa e dólar sobem, com corte de juro e cenário político no radar

Lucas Hirata e Ana Carolina Neira

O cenário político influencia as operações nos mercados financeiros nacionais nesta quinta-feira, levando cautela às ações dos investidores. Mas a principal notícia a dirigir os negócios é a reação ao corte da taxa básica de juros Selic ao piso histórico de 2,25% ao ano.

Regis Filho/Valor

Bolsa

Após uma abertura em baixa com a cena política local no radar, o Ibovespa firmou-se no terreno positivo com os investidores mais propensos ao risco neste pregão. Ainda que a prisão do ex-assessor parlamentar do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Fabrício Queiroz, traga algum sentimento de cautela, a redução da Selic é o que sustenta a alta do índice neste pregão.

Perto de 15h30, o Ibovespa subia 0,80%, aos 96.315 pontos. Nas máximas, chegou a 97.110 pontos. O giro financeiro também é forte para o horário e somava R$ 16 bilhões.

"A prisão do Queiroz causa algum ruído, mas ainda não sabemos quais os desdobramentos disso e o presidente sequer se pronunciou. Então, por enquanto, o corte na Selic vai repercutindo bem e faz a bolsa subir", explica Victor Candido, gestor Journey Capital.

Para ele, a indicação do Banco Central (BC) de que a taxa básica de juros da economia pode sofrer um corte adicional no mês de agosto também anima os investidores, porque tem impacto direto no consumo e na despesa financeira das empresas. Além disso, pela primeira vez, o rendimento dos dividendos das empresas listadas no Ibovespa supera a Selic, tornando a bolsa brasileira ainda mais atraente, diz o gestor.

"Não podemos desprezar o efeito disso no financiamento das empresas no atual momento econômico e no fluxo que esses cortes da Selic garantem para a renda variável, seja por meio dos fundos ou de pessoas físicas", afirma.

Victor Candido acredita que, caso o risco político não tome maiores proporções, estão dadas as condições para que o Ibovespa chegue aos 105 e até 110 mil pontos em até dois meses.

Em relatório, os analistas da Terra Investimentos afirmam que a nova redução da Selic e as indicações de cortes futuros "só reforçam a atratividade do Ibovespa", indicando também que a fala recente do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que a agenda de reformas será retomada, com destaque para as privatizações, ainda colabora com o clima positivo da bolsa brasileira.

Câmbio

O dólar comercial opera em firme alta contra o real, em um sinal do movimento de busca por proteção dado o noticiário político carregado e desvalorização de moedas emergentes. Por volta das 15h30, o dólar comercial tinha alta de 1,62%, aos R$ 5,3463, depois de tocar R$ 5,3765 na máxima do dia. Com isso, o real tem um dos piores desempenhos da sessão com uma desvalorização próxima do rand sul-africano, do peso chileno e do peso mexicano, por exemplo.

O movimento hoje mostra que o investidor “não quer largar as posições mais otimistas em bolsa e juros, que parecem casos muito sólidos neste momento em que a pandemia está sendo controlada e os estímulos monetários estão no máximo”, afirma um experiente gestor do mercado. Assim, a alternativa é buscar a proteção do dólar, não só no Brasil, mas no mundo emergentes, já que existe um movimento amplo de queda de juros nessas praças.

Ainda assim, analistas apontam que os riscos no quadro político estão presentes, após a prisão de Fabrício Queiroz. O tema repercute nas mesas de operação e, por ora, parece instigar cautela no mercado, mas sem um estresse exacerbado enquanto os agentes ainda esperam mais informações do caso.

Um dos riscos, diz um profissional, é que o tema afete a popularidade do presidente e isso dificulte no futuro o avanço da agenda de reformas ou deixe o governo mais vulnerável a pressões populistas no Congresso. Por outro lado, ainda é cedo para entender como o caso pode se desenrolar e até que ponto o entorno do presidente o blindará, diz outro profissional.