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Ibovespa despenca com releitura do mercado sobre Fed e após BC estender alta de juros

Bolsa de Valores B3 em São Paulo

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da bolsa brasileira teve forte queda nesta quinta-feira, seguindo Wall Street, à medida que o mercado reavaliou as comunicações de política monetária do banco central norte-americano que levaram à disparada das bolsas na véspera.

Na cena local, a indicação de extensão do ciclo de aperto monetário pelo Banco Central também pesou nos negócios.

Vale, B3 e Bradesco foram as que exerceram as maiores pressões sobre o índice, enquanto Suzano, Gerdau, Gerdau Metalúrgica e Klabin foram as únicas a fecharem em alta.

O Ibovespa caiu 2,81%, a 105.304,19 pontos, menor fechamento desde 11 de janeiro. O índice melhorou no final, após ter apagado os ganhos acumulados em 2022 na mínima do dia. O volume financeiro foi de 31,8 bilhões de reais.

O índice tinha avançado 1,7% na quarta-feira, acompanhando salto das bolsas em Wall Street, após o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, por ora descartar uma alta de 0,75 ponto percentual no juro dos Estados Unidos. A declaração veio na sequência do anúncio de elevação em 0,5 ponto.

Regis Chinchila, analista da Terra Investimentos, disse que houve releitura do mercado sobre as declarações do Fed.

Powell "tentou vender a ideia de que a economia está forte e que teria um aperto monetário 'suave', além da questão de não aumentar 0,75 ponto...mas o cenário é muito incerto", disse o analista, citando fatores como inflação global, restrições na China, desaceleração econômica nos EUA e sanções à Rússia.

"Como o mercado acha que a inflação dos EUA pode subir mais, os juros ficam pressionados", disse o economista-chefe do BV, Roberto Padovani. Na curva de juros, traders precificam 75% de chance de alta de 0,75 ponto na próxima reunião do Fed.

O Nasdaq afundou 5% e o S&P 500 caiu 3,6%.

Internamente, a indicação do BC de uma alta menor do que 1 ponto na próxima reunião, adicionou pressão aos ativos. O BC aumentou em um 1 ponto a Selic na véspera, conforme esperado.

DESTAQUES

- MAGAZINE LUIZA ON despencou 10,7%, AMERICANAS caiu 7,2%. A produtora de softwares TOTVS desabou 11,1%, após balanço divulgado na véspera. INTER UNIT recuou 9,4%. Empresas mais dependentes de crédito, como varejistas e companhias do setor tecnologia, sentiram mais intensamente o impacto do cenário sobre juros.

- PETROBRAS PN registrou recuo de 0,2%, mesmo com os preços do petróleo em leve alta. A estatal divulga resultado do primeiro trimestre nesta quinta-feira.

- BRF ON afundou 6,5%, após a processadora de aves e suínos anunciar prejuízo de 1,58 bilhão de reais no primeiro trimestre, com impacto da inflação no consumo e nos custos operacionais no Brasil. A recomendação do papel foi cortada pelo JPMorgan a "underweight".

- GERDAU PN subiu 2,3%, após resultados do primeiro trimestre e anúncio dividendos e recompra de ações. Executivos da siderúrgica projetaram sustentabilidade dos números na América do Norte e melhora nas operações no Brasil no trimestre atual. CSN ON perdeu 5,9%, também após balanço, e espera margens melhores nos três meses até junho.

- VALE ON teve queda de 1,8%, mesmo com alta dos contratos futuros de minério de ferro na China. [nL2N2WX0O5

- SUZANO ON acelerou 2,7%, em meio à alta do dólar e após operações com derivativos impulsionarem o resultado do primeiro trimestre. A empresa vê mercado global da matéria-prima com oferta restrita e custo caixa estável. KLABIN UNIT avançou 1,2%.

- BRADESCO PN perdeu 3,3% e ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 2,3%, em sessão também negativa para bancos.

- AMBEV ON retraiu 4,3 e GPA ON diminuiu 2,8%, após as companhias divulgarem resultados.

- HAPVIDA ON teve de 7,7%. Na véspera, a Câmara dos Deputados aprovou projeto que estabelece piso salarial para enfermeiros, mas a sanção do projeto depende da definição de uma fonte de financiamento.

(Por Andre Romani)

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