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Ibovespa desacelera perda em dia marcado por tensão com risco fiscal

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, chegando ao patamar dos 107 mil pontos no pior momento, diante de receios de deterioração fiscal após detalhamento da PEC da Transição, que visa excluir da regra do teto de gastos os desembolsos com o Bolsa Família e outras mudanças orçamentárias.

Mas o índice desacelerou as perdas após notícias que incluíram a saída do ex-ministro Guido Mantega da equipe de transição. Já o ex-ministro Aloizio Mercadante indicou que a equipe de governo de Luiz Inácio Lula da Silva avalia rever isenções fiscais para elevar receitas. A recuperação das ações da Vale também ajudou na redução das perdas do índice na sessão.

O Ibovespa encerrou em baixa de 0,49%, a 109.702,78 pontos, distante da mínima da sessão, de 107.245,13 pontos, mas ainda assim menor patamar de fechamento desde o final de setembro.

O volume financeiro somou 42,3 bilhões de reais, em sessão também marcada por operações visando o vencimento de opções sobre ações na sexta-feira.

"Esse esboço inicial definitivamente não parece ser um bom presságio para ancorar as expectativas sobre a sustentabilidade da dívida pública", afirmaram economistas do Citi. Eles reconheceram, porém, que ainda há restrições que podem limitar o afrouxamento fiscal, como as negociações no Congresso.

No final da quarta-feira, a equipe de transição de Lula apresentou a parlamentares proposta de "excepcionalizar" do teto de gastos 175 bilhões de reais para o Bolsa Família de 600 reais a partir de 2023, com adicional de 150 reais por criança, sem um prazo determinado.

O texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) inclui ainda uma autorização para que parte de receitas extraordinárias fique fora do teto e possa ser redirecionada para investimentos, em um limite de 23 bilhões de reais, entre outras possibilidades.

"O sinal que temos interpretado até agora é preocupante e diferente do que esperávamos, aumentando a incerteza quanto ao comprometimento com as regras fiscais", afirmou equipe do UBS.

Os economistas do banco suíço citaram em relatório a clientes que se o governo optar por aumentar seus gastos sem administrar a trajetória da dívida em relação ao Produto Interno Bruto, o PIB vai contrair, não crescer.

Esses gastos extras, segundo os economistas do UBS, levam a um crescimento menor, inflação mais alta e moeda mais fraca, resultando em taxas de juros e gastos com juros mais altos e, portanto, alta não linear na trajetória da dívida. "Se a opção for aumentar o gasto social, outros gastos teriam que ser reduzidos."

Para Lula, porém, o mercado fica nervoso à toa, conforme discursos recentes do petista na sequência de reações bastante negativas de investidores às perspectivas de aumento de gastos públicos em 2023 sem a definição clara de uma fonte de recursos para esse financiar esse crescimento.

"Ah! Mas se eu falar isso vai cair a bolsa, vai aumentar o dólar. Paciência", afirmou Lula durante discurso no Egito na manhã desta quinta-feira, onde participa da cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima COP27.

Em paralelo, o silêncio sobre quem será o ministro da Fazenda continua adicionando incertezas aos investidores.

A probabilidade de o presidente-eleito nomear alguém forte fora do PT, como o ex-ministro Henrique Meirelles ou o economista Persio Arida, que faz parte da equipe de transição, na visão dos economistas do Citi, reduziu ainda mais após a PEC, segundo relatório enviado a clientes.

Os economistas do Citi avaliam que aumentaram as chances de alguém do círculo interno do PT ser indicado para a pasta, como Alexandre Padilha ou Fernando Haddad.

Fontes ouvidas pela Reuters nesta semana afirmaram que a decisão final sobre a Fazenda não foi tomada, mas que Haddad está sendo visto como favorito de Lula. O presidente-eleito, porém, tem mandado avisar que só pretende anunciar nomes em dezembro.

Para a equipe do UBS, uma reversão das atuais preocupações fiscais pode acontecer se um ministro das Finanças ortodoxo for nomeado, assim como se uma reação mais forte do mercado repelir essas políticas fiscais frouxas ou se o Congresso optar por não aprovar toda essa folga fiscal.

"Mas as perspectivas não são tão favoráveis", afirmaram os economistas do UBS.

No pior momento desta quinta-feira, o Ibovespa chegou a cair 2,72%, mas reduziu as perdas acompanhando notícias como a da saída de Mantega, que pediu para ser afastado da equipe de transição de governo.

Já Mercadante, que coordena os grupos técnicos da transição de governo, também indicou que o grande volume de isenções fiscais está sob análise e pode ser uma maneira de elevar as receitas futuras da administração federal.

No exterior, Wall Street também teve um fechamento negativo, com dados divergentes sobre o ritmo da economia norte-americana e declarações de autoridade do Federal Reserve embaralhando expectativas de que o Fed poderia reduzir o ritmo de alta dos juros após melhora em dados recentes de inflação.

DESTAQUES

- QUALICORP ON desabou 10,6%, a 5,82 reais, mínima história de fechamento. O papel chegou a 5,62 reais no pior momento da sessão. Analistas do UBS cortaram a recomendação das ações para "venda" e ceifaram o preço-alvo de 14 para 6,50 reais. "O pior passou, mas a recuperação é incerta", afirmaram.

- B3 ON despencou 6,05%, a 11,65 reais, sofrendo com o desmonte generalizado de posições, enquanto a perspectiva de um quadro fiscal pior, com menor crescimento e juros mais altos, corrobora temores de um efeito negativo nos volumes de negócios realizados na plataforma da empresa de infraestrutura de mercado financeiro.

- 3R PETROLEUM ON tombou 6,19%, a 38,82 reais, após divulgar dados preliminares de produção de outubro mostrando queda em relação a setembro. Na visão da Genial Investimentos, a leitura dos números é negativa "por demonstrar uma parada no ímpeto de crescimento da produção nos últimos meses".

- VALE ON avançou 0,8%, 83,1 reais, respondendo por um relevante suporte ao Ibovespa, após titubear durante o pregão. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Dalian Commodity Exchange subiu 1,7%, para 740 iuans (103,85 dólares) a tonelada no final do pregão diurno. A Vale também anunciou que fornecerá 25 mil toneladas de níquel ao ano para a General Motors na América do Norte.

- CYRELA ON caiu 3,59%, a 13,7 reais, com o índice do setor imobiliário cedendo 1,87%, o pior desempenho entre os índices setoriais da B3, dado o efeito negativo na curva futura de juros com a perspectiva de mais gastos sem se saber as fontes de financiamento.

- IRB BRASIL ON recuou 5,81%, a 0,81 real, renovando mínima intradia histórica a 0,79 real. Raphael de Carvalho renunciou ao cargo de presidente-executivo, após pouco mais de um ano na posição. Nem o "upgrade" do Citi, que elevou a recomendação dos ações de "venda" para "neutra/alto risco", esfriou as vendas.

- PETROBRAS PN encerrou com variação positiva de 0,04%, a 27,16 reais, tendo de pano de fundo a queda do petróleo Brent, enquanto segue também pressionada pelos receios relacionados à troca do governo federal e os possíveis reflexos na estratégia da empresa.

- BRADESCO PN subiu 2,17%, a 15,54 reais, encontrando algum apoio em relatório do JPMorgan que elevou a recomendação para os papéis do banco a "overweight". No setor, ITAÚ UNIBANCO PN reagiu e fechou em alta de 0,61%, enquanto BANCO DO BRASIL ON recuou 2,13%.