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Ibovespa desaba com coronavírus e petróleo e perde os 100 mil pontos

Marcelle Gutierrez

Diante de tantas incertezas, o investidor ficou mais reticente e preferiu não entrar no fim de semana muito exposto ao risco A disseminação do coronavírus pelas principais economias do mundo e pelo Brasil segue pesando no Ibovespa, em uma semana marcada ainda por revisões de projeção do Produto Interno Bruto (PIB), disparada do dólar para R$ 4,63 e corte de juros emergencial nos Estados Unidos de 0,50 ponto percentual. Hoje, outro fator pressionou as ações da Petrobras e, consequentemente, o índice: a maior queda diária do petróleo em uma década.

Diante de tantas incertezas, o investidor ficou mais reticente e preferiu não entrar no fim de semana muito exposto ao risco. Assim, o Ibovespa fechou a primeira semana de março com queda acumulada de 5,93%. Somente nesta sessão, o principal índice de ações da bolsa caiu 4,14%, após ajustes, aos 97.996 pontos.

Na mínima, alcançou 96.886 pontos (-5,23%) e, na máxima, ficou estável na comparação com ontem, aos 102.230 pontos.

Mercados começam mês de março sob forte estresse

O desempenho da bolsa brasileira ficou muito aquém das americanas, por exemplo. Hoje, os índices por lá fecharam com leve alta, de 0,61% do S&P 500, de 1,79% do Dow Jones e de 0,10% do Nasdaq.

No Brasil, o Ministério da Saúde informou que são 13 casos de infecção pelo Covid-19. Em todo o mundo, o número chegou a 100.330, com um total de 3.408 mortes.

Diante de tantos casos, o mercado já precifica os impactos econômicos. Por aqui, o Itaú Unibanco, por exemplo, revisou a projeção de crescimento do PIB em 2020 de 2,2% para 1,8%. A justificativa, segundo a instituição, está no arrefecimento da economia global com efeitos sobre o Brasil e os sinais de desaceleração maior do que a esperada no primeiro trimestre.

No mundo, a desaceleração da economia já é um fato visto pelo mercado e a Organização dos Países Produtores de Petróleo e seus aliados (Opep +) fez hoje uma reunião para restringir a oferta da commodity, diante de preocupações com a queda da demanda.

Porém, a reunião acabou sem acordo e os preços do petróleo dispararam. O contrato para maio do Brent recuou 9,44%, a US$ 45,27 o barril. Foi a maior queda diária desde outubro de 2008. Já os contratos do WTI para abril tiveram queda de 10,06%, a US$ 41,28 o barril.

Com a derrocada do petróleo, as ações ordinárias da Petrobras fecharam em queda de 10,26%, a R$ 24,06, e as preferenciais tiveram baixa de 9,73%, a R$ 22,83.

Petrobras PN foi o papel mais negociado do dia, com volume financeiro de R$ 3,2 bilhões. No total, o giro do Ibovespa atingiu R$ 29,06 bilhões, acima da média diária de 2020 de R$ 19 bilhões.

A partir da próxima segunda-feira (9), a bolsa muda o horário de negociação, para das 10h às 17h, com after market das 17h30 às 18h.

Ralph Orlowski/Bloomberg