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Ibovespa desaba abaixo dos 98 mil pontos; queda no ano supera 15%

Por Paula Arend Laier
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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - A bolsa paulista voltou a registrar fortes perdas nesta sexta-feira, com o Ibovespa abaixo de 98 mil pontos e ampliando as perdas no ano para mais de 15%, em meio à continuidade da aversão a risco global por preocupações sobre os efeitos do surto do novo coronavírus na economia mundial.

As ações da Petrobras figuraram entre as maiores quedas, conforme o petróleo despencou mais de 9%. Já CVC Brasil avançou dois dígitos após troca do comando da operadora de turismo, que viu seus papéis derreterem mais de 50% em 2020.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 4,14%, a 97.996,77 pontos, menor fechamento desde agosto de 2019. O volume financeiro no pregão foi novamente forte e totalizou 39,9 bilhões de reais.

Na semana, a terceira no vermelho, o Ibovespa acumulou um declínio de 5,93%. No ano, a queda chega a 15,3%.

A BB Investimentos frisou que a perspectiva de desaceleração da economia mundial, que começou pelo surto na China e que traria um efeito dominó em função da desaceleração no comercial global, se apoiou depois da disseminação da doença pelo mundo.

"Isso tem levado o mercado a rever projeções de crescimento, gerando maior aversão ao risco", afirmou em nota a clientes.

O número de pessoas infectadas com coronavírus em todo o mundo ultrapassou 100 mil, com o surto matando mais de 3.400 pessoas e atingindo mais de 90 países, sendo que seis deles relataram seus primeiros casos nesta sexta-feira.

No mercado, agentes financeiros já começam a questionar se medidas tradicionais como cortes de juros terão eficácia para proteger as economias, com o impacto econômico do coronavírus grande e crescente.

"Opções monetárias e fiscais convencionais...podem não ser suficientes. Novas abordagens podem ser necessárias para reduzir o impacto do vírus e permitir uma rápida recuperação das perdas econômicas quando o surto desaparecer" afirmou o economista Adam Slater, da Oxford Economics, em relatório a clientes.

No Brasil, perspectivas de contaminação da desaceleração global no ritmo da atividade interna têm levado economistas a revisarem estimativas para o crescimento do PIB em 2020, sendo o Itaú Unibanco o mais recente a ajustar projeções, com muitos também passando a prever corte na Selic neste ainda neste mês.

A chance de o Banco Central voltar a afrouxar sua política monetária, após sinalização de pausa no mês passado, por sua vez, tem fortalecido o dólar frente ao real. A cotação só não renovou máxima nesta sessão porque o BC atuou com leilões de swap cambial - equivalente a venda de dólar no mercado futuro.

Para o gestor Marcelo Mesquita, sócio na Leblon Equities, o cenário de curto prazo é imprevisível. "Para o médio e longo prazos, (essa forte correção) nos parece uma excelente oportunidade de compra já que o coronavirus não é uma mudança estrutural e, sim, conjuntural", afirmou.


DESTAQUES

- PETROBRAS PN despencou 9,73%, na esteira do tombo do petróleo no exterior, onde o Brent fechou em queda de 9,4%, após acordo entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e Rússia para cortes de produção desmoronar. PETROBRAS ON derreteu 10,3%.


- VALE ON caiu 4,78%, também contaminada por receios com a atividade econômica global. No setor de mineração e siderurgia, GERDAU PN cedeu 7,34%, USIMINAS PNA perdeu 6,31% e CSN ON recuou 7,03%.


- ITAÚ UNIBANCO PN e BRADESCO PN recuaram 2,13% e 2,85%. BTG PACTUAL UNIT caiu 3,97%.


- GOL PN fechou em alta de 1,94%, em trégua após fortes perdas no começo da sessão e nos últimos dias, com o setor aéreo pressionado pela forte avanço do dólar e potenciais efeitos da disseminação do coronavírus. AZUL PN recuou 1,12%. Na semana, os papéis acumularam perdas de 17,8% e 17,5%, respectivamente.


- VIA VAREJO ON desabou 17,2%, entre as maiores quedas do Ibovespa e apagando boa parte dos ganhos do ano, em meio a revisões nas projeções de crescimento da economia brasileira, que vinham apoiando os papéis do setor. B2W ON caiu 9,8% e MAGAZINE LUIZA ON perdeu 5,2%.


- CVC BRASIL ON disparou 14,4%, após a operadora de turismo anunciar a troca no comando poucos dias depois de relatar indícios de erros na contabilidade. A recuperação veio após queda acumulada em 2020 de mais de 50%.


- IRB BRASIL RE ON fechou em alta de 2,5%, em meio a ajustes após recuar mais de 50% na semana até a véspera, devido a uma crise de confiança na resseguradora relacionada a resultados financeiros e declarações conflitantes de executivos, que resultou na troca do comando da empresa.