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Ibovespa começa dezembro em alta, descolado do exterior

Juliana Machado

Nem mesmo a ameaça de Trump de sobretaxar o aço do Brasil foi capaz de ofuscar o ganho dos principais papéis O primeiro pregão de dezembro começou positivo para o mercado de ações e nem mesmo a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de sobretaxar o aço e o alumínio do Brasil foi capaz de ofuscar o ganho dos principais papéis da bolsa.

Como resultado do bom humor hoje, após um novembro minguado em termos de rentabilidade, o Ibovespa subiu 0,64%, aos 108.928 pontos, na contramão das bolsas americanas.

Na máxima do dia, o principal índice da B3 chegou a tocar os 109.279 pontos, bem perto do recorde intradiário, que foi de 7 de novembro, em 109.672 pontos. No fechamento, o último recorde do índice foi também daquela data, quando ficou em 109.581 pontos. O giro financeiro hoje somou R$ 12,2 bilhões, em linha com a média diária negociada nos pregões de 2019.

Entre os movimentos positivos, alguns ativos líquidos foram destaque, caso de Bradesco (0,99% a ON e 0,66% a PN) e Vale (2,72%). No caso da mineradora, uma bateria de informações embalou a demanda pelo papel, começando por indicadores da China, principal consumidor de commodities do mundo. O dado do setor industrial chinês subiu de 51,7 em outubro para 51,8 em novembro, maior nível desde dezembro de 2016. Leituras acima de 50 indicam expansão da atividade — no caso do gigante asiático, pelo quarto mês consecutivo. A informação foi tão relevante para os investidores do setor que, além da Vale, CSN (5,73%) e Usiminas (2%) ficaram nos destaques positivos do dia.

Esse “efeito China” foi o bastante para ofuscar eventuais impactos da ameaça do presidente Trump de reinstaurar tarifas sobre aço e alumínio do Brasil.

Segundo algumas casas, como a gestora Martin Currie, essa questão é “apenas secundária” para os investidores do Brasil, tendo em vista que as exportações para os EUA representam 12,47% do total de exportações brasileiras - bem abaixo da parcela de exportação, de 22%, par a China.

Além disso, a Vale também divulgou hoje as estimativas de produção para os próximos anos, com crescimento na entrega de minério de ferro. A empresa espera que a produção no ano que vem fique entre 340 milhões e 355 milhões de toneladas; para 2021, a expectativa é que a produção aumente para 375 milhões a 395 milhões de toneladas.

Regis Filho/Valor

As notícias da China ajudaram a amparar o setor siderúrgico e de mineração mesmo com a continuidade dos receios envolvendo as negociações comerciais entre Pequim e Washington, ainda empacadas, e também alguns dados mais fracos sobre a manufatura americana. Somado a isso, a confiança dos investidores em Brasil ainda é o que sustenta parte da demanda por ações brasileiras — hoje, pesquisa Focus mostrou que a projeção do mercado financeiro para a expansão do PIB no ano que vem voltou a subir pela quarta semana seguida, para 2,22%.

As perspectivas para as compras de “Black Friday” também conduziram papéis do setor de varejo digital aos destaques positivos do dia, como se viu em B2W (4,37%) e Via Varejo (4,09%), além da brMalls (3,92%). Desde a semana passada, investidores vêm se posicionando nesses ativos à espera de resultados melhores no quarto trimestre, fruto do aumento de compras no período. O desempenho do varejo na Black Friday ficou acima das expectativas das grandes varejistas e os comandos do Magazine Luiza e da Via Varejo dizem que isso sinaliza um início mais consistente de recuperação da economia, relata a jornalista Adriana Mattos, do Valor.

O investidor aproveitou também o primeiro pregão de dezembro para embolsar ganhos em algumas ações que lideram, até aqui, a rentabilidade dentro do Ibovespa. É o caso de Qualicorp (-2,72%), que ficou na pior performance do Ibovespa no dia. No ano, porém, a ação da operadora de planos ainda acumula alta de 231%, a maior do índice.