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Ibovespa cai e dólar ronda R$ 4 com investidor à espera de Fed e Copom

Ana Carolina Neira, Marcelo Osabake e Victor Rezende

Expectativa é de que juros nos EUA e no Brasil sejam cortados na quarta-feira O Ibovespa operou em queda durante toda a manhã desta terça-feira, refletindo a cautela dos investidores um dia antes das decisões de política monetária de Brasil e Estados Unidos. Assim, os agentes aproveitam o pregão para embolsar ganhos após as sucessivas altas e para rever suas estratégias, adotando certa cautela até a definição do juro.

Perto das 14 horas, o Ibovespa cedia 0,36%, aos 107.802 pontos. Nas mínimas, ficou em 107.405 pontos. O giro financeiro está de acordo com o esperado para o horário e somava quase R$ 6 bilhões.

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No Brasil, a projeção é de uma redução de 0,50 ponto percentual no juro básico na quarta-feira, para 5%. Já nos EUA, o corte deve ser de 0,25 ponto, em função da desaceleração econômica global. Amanhã também será conhecida a primeira leitura do desempenho da economia dos EUA no terceiro trimestre, seguido de dados de mercado de trabalho americano na sexta-feira.

Para analistas, o humor do investidor não mudou: segue firme o otimismo com juros mais baixos, inflação ancorada e a confiança de que o Banco Central (BC) ainda reduzirá a Selic como solução para estimular a economia, oferecendo suporte aos ativos de risco. Mas, diante de uma agenda fraca tanto no Brasil quanto no exterior e sem grandes catalisadores, a atuação no mercado tende a ser mais comedida.

Entre as principais altas estavam MRV ON (3,31%), Energias Brasil ON (1,84%) e Cielo ON (1,79%), esta última sob a expectativa da divulgação de seu resultado trimestral, que será divulgado hoje após o fechamento do pregão. Entre as baixas, apareciam Pão de Açúcar PN (-2,47%) e Eletrobras ON (-2,14%).

A força vendedora exerce mais pressão via ações com maior peso e liquidez dentro do índice como Bradesco (-0,93% a ON e -1,13% a PN), B3 ON (-2,07%) e Vale ON tinha estabilidade.

Câmbio

Após a forte valorização dos últimos dias, o dólar comercial oscilou em torno da estabilidade na primeira metade do pregão desta terça-feira, limitado pela postura defensiva dos investidores antes das decisões de política monetária dos bancos centrais brasileiro e americano, mas ganhou força no começo da tarde.

Por volta das 14h, a moeda americana aumentava 0,19%, aos R$ 3,9998.

Além da tradicional cautela antes de decisões de juros do Federal Reserve (Fed, banco central americano), há também a expectativa sobre qual o tom a ser adotado pelo Comitê de Política Monetária (Copom), cujo ciclo de cortes tem reduzido o diferencial de juros com o exterior e, por consequência, a atratividade da moeda brasileira.

"Se o Copom optar, por exemplo, por um corte mais forte que o esperado, de 0,75 ponto base, isso deve pressionar o dólar porque não é o cenário da maioria do mercado", diz Victor Beyruti, economista da Guide.

Juros

Os juros futuros rondaram os ajustes na manhã desta terça-feira, com viés de queda. No radar dos agentes, esteve, principalmente, o rumo das taxas de juros no Brasil e nos EUA.

Por volta de 14 horas, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 caía de 4,78% no ajuste de ontem para 4,762%; a do DI para janeiro de 2021 recuava de 4,39% para 4,37%; a do contrato para janeiro de 2023 cedia de 5,37% para 5,36%; e a do DI para janeiro de 2025 marcava 6,05%.

Novas reduções no juro básico da economia brasileira são esperadas pelos investidores e, cada vez mais, instituições passam a projetar que o atual ciclo de afrouxamento deve se estender para o próximo ano. Hoje, foi a vez do Bank of America Merrill Lynch projetar que os cortes nas taxas de juros devem terminar com a Selic a 4%, o que ocorreria em fevereiro de 2020 nas estimativas do banco americano.

Na avaliação do chefe de pesquisa e estratégia do BofA, David Beker, um nível ainda mais baixo na taxa de juros pode ser testado pelo BC no próximo ano, a depender da pressão da atividade na inflação e dos rumos da economia global. “Estamos vendo o juro a 4% porque enxergamos que há folga para o BC cumprir as metas, já que a inflação está bastante ancorada nas metas”, diz.

Também no radar dos agentes, aparece a agenda reformista do governo. É previsto que o ministro da Economia, Paulo Guedes, entregue ao Congresso um plano com objetivo principal de sanear as contas públicas.