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Ibovespa acentua perdas diante dos riscos do coronavírus; dólar sobe

Ana Carolina Neira, Marcelo Osakabe e Victor Rezende

Os índices americanos inverteram a direção e já operam no negativo após a confirmação de um segundo caso de infecção nos Estados Unidos Depois de superar a marca inédita de 119 mil pontos, o Ibovespa enfrenta uma onda de realização de lucros que derruba as ações, num movimento intensificado pela cautela global com o surto de coronavírus. Por volta das 15h15, o índice recuava 0,84%, aos 118.529 pontos e um giro financeiro de R$ 7,8 bilhões, um pouco abaixo do esperado para este horário.

O próprio fluxo dimensiona que o investidor não está estressado ou com grande aversão ao risco, mas ainda cauteloso diante das informações sobre o contágio da doença. Para analistas, os fundamentos para Brasil seguem positivos, mas é impossível passar sem perdas por momentos assim.

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Na ausência de novos fatos que justifiquem mais um movimento de alta e a cautela presente no mundo, há um bom espaço para realização de lucros. Isso também explica porque o recuo do principal índice de ações no país é mais acentuado do que as perdas nas bolsas americanas.

“As bolsas americanas não subiram tanto quanto nós no pregão de ontem. A mesma cautela vista lá está presente aqui, mas eles conseguem operar mais na estabilidade. Aqui temos visto com frequência esses movimentos de fortes altas seguidos de uma boa realização, o que é até saudável”, diz um gestor que prefere não ser identificado.

Os analistas apontam ainda que a venda de ações não se refere a um pessimismo com a economia local, mas sim um movimento de embolsar lucros e se precaver contra possíveis surpresas no fim de semana.

As principais oscilações do índice até o momento dão dimensão do comportamento mais comedido dos agentes nesta sexta-feira: entre as maiores altas, há pouco, estavam Cia Hering ON (1,68%) e Weg ON (3,18%). As principais baixas eram CSN ON (-3,87%) e Gol PN (-3,82%), em um dia de pouco noticiário corporativo e movimentos mais marcados por reajuste de preços de ativos que oscilaram significativamente nesta semana.

A quantidade de informações novas sobre a doença também garante certo tom de cautela por parte dos investidores, já que apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter afirmado que o novo coronavírus não se enquadra em uma emergência internacional no momento, novos casos não param de surgir.

Na China, já são 881 episódios da doença confirmados e 26 pessoas mortas, enquanto autoridades chinesas seguem bloqueando cidades tentando diminuir o contágio.

Internamente, o mercado também repercute a divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Foi registrada a abertura de 644.079 vagas com carteira assinada no Brasil em 2019, o melhor resultado desde 2013. No entanto, em dezembro foram fechadas 307.311 vagas. Parte do mercado ficou decepcionada com a quantidade de vagas fechadas.

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Dólar

O dólar comercial opera com viés de alta leve nesta sexta-feira, em um ajuste após os dois pregões de queda anteriores, ajudado pelo fortalecimento da moeda americana no exterior. Investidores também digerem os comentários do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que participou de um evento em São Paulo.

Por volta das 15h15, o dólar avançava 0,41%, aos R$ 4,1829. Após uma manhã com comportamento variado em relação a moedas emergentes, a divisa americana passou a subir contra a maior parte delas. Contra a lira turca, a alta passou de 0,16% para a 0,23%. Já a queda de 0,11% ante o peso chileno virou alta de 0,25%.

Houve alguma piora do sentimento de risco após o governo dos Estados Unidos informar que foi confirmado um segundo caso de internação por coronavírus no país. As autoridades locais também monitoram outros 63 possíveis infectados.

Para Marcio Simões Rodrigues, gerente da mesa de operações BMF da Planner Corretora, em meio ao noticiário do exterior e as captações de empresas brasileiras, o mercado de câmbio tem pouca informação para alimentar uma aposta mais direcional. O profissional acredita que o dólar deve se manter oscilando entre R$ 4,14 e R$ 4,19 neste pregão.