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Ibovespa cai com foco no coronavírus e alinhado a bolsas globais

Ana Carolina Neira

Desta vez, o alerta ocorre após uma mudança na metodologia usada pelos chineses para contabilizar o número de vítimas O Ibovespa segue o caminho dos seus pares globais e opera em queda hoje, de olho, mais uma vez, nos riscos representados pelo avanço do coronavírus. Desta vez, o alerta ocorre após uma mudança na metodologia usada pelos chineses para contabilizar o número de vítimas, o que fez o número de mortos e infectados disparar.

Agora, as autoridades chinesas contabilizam 13.332 novos casos da doença e outros 242 mortos. Com isso, o número de vítimas fatais chega a 1.368 na China, além de uma morte no Japão e outra nas Filipinas. Os contaminados somam 52.526 na China. De acordo com o governo local, as mudanças foram feitas nos critérios para o diagnóstico e agora é permitido que os médicos considerem os diagnosticados de forma clínica e não apenas pelos testes feitos em laboratório, conforme já vinha sendo feito em outras regiões do país.

Com a busca por ativos mais seguros, o Ibovespa recuava 0,92% às 13h21, aos 115.597 pontos. No pior momento do dia, ele foi aos 114.801 pontos. O giro financeiro também é forte para o horário e soma R$ 6,8 bilhões, dimensionando a força vendedora dos agentes.

Em análise, o J.P. Morgan calcula que, de acordo com a nova metodologia, é possível que o mês de fevereiro termine com pelo menos 90 mil pessoas infectadas pelo coronavírus.

"É fundamental observar a tendência de crescimento do número de infecções nos próximos dois dias", alertam os analistas.

Há pouco, as maiores pressões sobre o Ibovespa vinham dos papéis de maior peso e liquidez dentro do índice, com a maior queda vindo de Bradesco (-2,51 a ON – a maior do índice – e -1,83% a PN), das units do Santander (-2,20%), Itaú Unibanco PN (-1,69%), B3 ON (-0,84%), Bando do Brasil ON (-0,64%), Ambev ON (-1,08%), Petrobras (-1,60% a ON e -0,76% a PN) e Vale ON (-2,32%), estas duas últimas a despeito da leve alta vista nos preços do petróleo e do minério de ferro.

As ações do BB, da mineradora Vale e da Petrobras também estão entre os ativos mais negociados de todo o mercado à vista, registrando fortes fluxos financeiros.

Quem também aparece nessa lista de mais negociadas é Suzano ON (4,60%), que lideranha os ganhos do Ibovespa e passa por uma importante recuperação. Após cair 7,83% no último um ano, o papel conseguiu avançar mais de 5% somente hoje e já tem um giro de R$ 353 milhões até aqui, superando os R$ 345,5 milhões negociados durante toda a sessão de ontem.

A demanda pelos papéis ocorre após a companhia informar ontem um lucro líquido entre outubro e dezembro de 2019 recuou 61% em base anual, para R$ 1,1 bilhão. A empresa continuou sentindo o peso da forte desvalorização dos preços da matéria-prima.

O Bradesco BBI, em relatório, aponta que os resultados vieram apenas levemente mais fracos, o que pode justificar a alta dos papéis em um dia de pessimismo.

Entre os destaques positivos do balanço da Suzano, o banco elenca o aumento das exportações e a redução dos estoques de celulose para um nível acima do que era esperado.

A expectativa é que essa tendência de redução dos estoques mude neste início de ano. “Vemos pouco espaço para que fabricantes de celulose reduzam estoques enquanto a demanda chinesa for afetada pelo surto de coronavírus.”

A recomendação do Bradesco BBI para os papéis da Suzano é neutra, com preço-alvo de R$ 40,00. Há pouco, eles eram cotados a R$ 41,82.

Já o BTG Pactual avalia, também em relatório, que o mercado de papel e celulose segue difícil, mas a administração da companhia vem entregando bons resultados.

Os analistas também se mostraram satisfeitos com o aumento das sinergias esperadas para a fusão com a Fibria para o intervalo de R$ 1,1 bilhão a R$ 1,2 bilhão. “Acreditamos que isso possa acrescentar cerca de R$ 2 bilhões no valor patrimonial”, dizem no relatório.

A recomendação do BTG Pactual para os papéis da Suzano é de compra, com preço-alvo de R$ 44,00.

Julio Bittencourt/Valor