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Ibovespa cai com Fed disposto a sacrificar crescimento para domar inflação

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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira, pressionado pela perspectiva de que o banco central norte-americano está disposto a sacrificar o crescimento da economia para controlar a inflação nos Estados Unidos.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,09%, a 112.298,86 pontos. Na semana, porém, acumulou alta de 0,72%. O volume financeiro somou 21,8 bilhões de reais.

Jerome Powell, chair do Federal Reserve, afirmou em um simpósio na cidade de Jackson Hole nesta sexta-feira que os EUA precisarão de uma política monetária apertada "por algum tempo" antes que a inflação fique sob controle.

Ele acrescentou que os custos "infelizes" para se reduzir a inflação incluem crescimento mais lento, mercado de trabalho mais fraco e "alguma dor" para famílias e empresas, mas alertou que "o histórico adverte fortemente contra o afrouxamento prematuro da política monetária."

Na visão da estrategista institucional de ações para Brasil do Santander, Aline Cardoso, Powell sinalizou que, se for necessário escolher entre recessão e ancorar a inflação, o Fed irá ancorar a inflação, mesmo que leve a uma recessão da economia norte-americana.

Dados de preços ao consumidor e produtor nos EUA no começo do mês alimentaram expectativas de redução no ritmo de alta e até mesmo na duração do ciclo de elevação. Nos últimos dias, porém, membros do Fed já vinham adotando um tom mais 'hawkish'.

"Hoje, Powell falou com todas as letras que pode ser necessária uma política monetária mais restritiva por mais tempo para controlar a inflação", disse Cardoso, enxergando uma chance maior de mais uma alta de 0,75 ponto percentual em setembro, mas ponderando que é preciso acompanhar os próximos dados.

Em Wall Street, o S&P 500 fechou em baixa de 3,37%, enquanto o Nasdaq caiu 3,94%, uma vez que um cenário de taxas de juros mais altas é negativo para papéis de tecnologia. O Dow Jones recuou 3,03%.

Tal cenário pesou na bolsa paulista dada a correlação entre os dois mercados, mas a pressão vendedora acabou sendo amenizada, em parte, pois, diferente do processo de aperto monetário nos EUA, o ciclo de alta da taxa de juros acabou ou está praticamente encerrado no Brasil.

Ainda assim, papéis que mostraram forte valorização no começo da semana, principalmente de empresas relacionadas à economia doméstica, tiveram quedas relevantes.

Para o estrategista de multimercados da Trópico Investimentos, Fernando Maluf, a dinâmica global vem prevalecendo sobre a narrativa eleitoral no Brasil, e nesse sentido vale ficar atento ao mercado de juros norte-americano, que pode continuar afetando o prêmio dos ativos locais.

DESTAQUES

- NATURA&CO ON caiu 6,73%, a 15,52 reais, em sessão de correção de papéis de consumo após forte valorização recente. Entre as varejistas, AMERICANAS ON perdeu 3,67%, MAGAZINE LUIZA ON cedeu 2,14% e VIA ON recuou 3,25%.

- USIMINAS PNA perdeu 6,67%, a 8,67 reais, após a siderúrgica divulgar projeção de investimentos da ordem de 2,4 bilhões de reais para 2023. Também anunciou que fará reparos emergenciais em coqueria e elevou o valor na reforma de alto forno. No setor, CSN ON caiu 5,95%.

- VALE ON fechou em baixa de 1,5%, a 68,23 reais, mesmo em dia de alta do minério de ferro na China, onde a commodity marcou o maior ganho semanal em quatro semanas, com siderúrgicas aumentando as compras.

- PETROBRAS PN avançou 1,08%, a 33,64 reais, conforme preços do petróleo no exterior avançaram, com o Brent, usado como referência pela companhia, subindo 1,65 dólar e fechando em 100,99 dólares o barril.

- ALPARGATAS PN saltou 7,18%, a 22,40 reais, um dia depois de disparar 10%. A performance das ações, descolada do setor, tinha como pano de fundo declarações do presidente-executivo da dona da marca Havaianas em evento do JPMorgan na véspera.

- CIELO ON subiu 2,25%, a 5,92 reais. Analistas do Credit Suisse elevaram a recomendação das ações da empresa de meios de pagamentos para 'outperform', bem como o preço-alvo para 7,5 reais, de 2,5 reais anteriormente, citando tendências operacionais saudáveis e múltiplo descontado.

- PAGSEGURO saltou 10,96%, a 16,7 dólares, em Nova York, após resultado melhor do que o esperado, com lucro líquido ajustado de 403 milhões de reais, alta de 17% ano a ano. O Morgan Stanley também avaliou como positivas as projeções da empresa para lucro e receita no terceiro trimestre.

(Por Paula Arend Laier)