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Ibovespa tem mais um dia de fortes perdas e paralisação dos negócios

Ana Carolina Neira

Bolsas de Nova York também interromperam operações logo no começo do pregão O clima segue bastante tenso nos mercados globais, com os índices amargando mais um pregão de intensas perdas nesta segunda-feira. Logo após a abertura, o Ibovespa acionou mais uma vez o circuit breaker – o quinto em apenas uma semana – após recuar mais de 10% e ainda sem todas as ações em negociação. Depois dos 30 minutos de paralisação e com a retomada dos negócios, o clima ainda é de cautela. O índice apontava baixa de 13,21% às 16h50, aos 71.760 pontos.

Entre as mínimas e as máximas do dia, o Ibovespa foi dos 70.855 pontos aos 82.565 pontos, dando dimensão da volatilidade que impera no mercado. Já o giro financeiro somava R$ 14,2 bilhões, acima da média para o horário e ainda mais alarmante em um dia em que as negociações ficaram suspensas por um tempo.

A razão para toda essa onda de aversão ao risco vem do fato de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) levou os juros americanos para a faixa entre zero e 0,25%, além de ter anunciado um programa de afrouxamento monetário de US$ 700 bilhões. Isso também reacende as discussões sobre um corte emergencial na Selic antes mesmo da decisão de quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).

Em mais um dia de forte nervosismo, mercados esperam reação do BC à crise

Ainda que medidas assim sejam bem avaliadas, pois mostram ações concretas em busca de socorrer o sistema financeiro, o grande temor agora é que as ferramentas de estímulo e proteção estejam se esgotando e com eficácia limitada.

"A verdade é que mais uma atuação do Fed assim, do nada, dá um tom de desespero que não foi bem lido pelo mercado. A impressão que fica é de que tudo bem, estão socorrendo a economia, mas que se a maior economia do mundo está neste nível de alerta é porque a coisa está muito feia e pior que do que pensávamos", diz um gestor que prefere não ser identificado ao explicar a forte queda do Ibovespa.

Na avaliação de Thiago Salomão, analista de ações da Rico Investimento, as medidas anunciadas dão a ideia de que a situação em geral ainda pode piorar muito nos próximos dias. "O Banco Central americano pode estar vendo algo que o mercado ainda não viu, gerando uma possível interpretação de que a recessão pode estar próxima nas economias internacionais", diz em relatório.

Conforme tem acontecido em dias como hoje, as ações de maior peso e liquidez dentro do Ibovespa, e que também são aquelas mais ligadas ao cenário externo, ficam entre as principais quedas e empurram o índice para baixo, como Petrobras (-13,56% a ON e -14,87% a PN) e Vale ON (-10,12%).

Além da busca por proteção que dita o ritmo dos índices acionários mundo afora, a estatal também sofre com as quedas nos preços do petróleo no mercado internacional.

Nenhuma ação operou em alta do Ibovespa até agora no pregão. Entre as quedas, estavam Smiles ON (-34,76%), CVC Brasil ON (-28,01%), Azul PN (-30,23%) e Gol PN (-26,14%). O grupo sofre especialmente pela alta quantidade de viagens canceladas, já que as restrições de circulação de passageiros tem sido cada vez maiores e urgentes, gerando prejuízo a todas essas empresas. Além disso, elas também possuem boa parte de seus custos atrelados ao dólar, que opera em forte alta hoje, dada a busca pro proteção.

A Smiles também é pressionada pelo comunicado da Gol de que vai cancelar a proposta de incorporação da Smiles, feita em dezembro passado. Segundo a Gol, a decisão foi tomada em decorrência de “eventos extraordinários” ocorridos nos últimos dias nos mercados local e internacional, “por força dos seus impactos estruturantes no setor de aviação”.

Em dezembro de 2019, a Gol apresentou uma proposta de incorporação da Smiles que incluía a migração da base acionária da empresa de fidelidade. Pelos termos apresentados na ocasião, os acionistas da empresa de fidelidade poderiam escolher entre duas alternativas de pagamento recebendo mais ou menos ações preferenciais da Gol. A paralisação do processo não agradou os investidores.

Assim como no Brasil, os mercados americanos também tiveram o 'circuit breaker' acionado logo no início dos negócios desta segunda-feira.