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Ibovespa busca 3ª alta seguida com atenções em Brasil e EUA; Petrobras recua

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa engatava o terceiro pregão seguido de alta nesta sexta-feira, marcada pela divulgação de dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, enquanto agentes financeiros monitoram a primeira reunião ministerial do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Às 12:31, o Ibovespa subia 0,78%, a 108.479,29 pontos. O volume financeiro somava 8,8 bilhões de reais. Tal desempenho, porém, ainda não era suficiente para ofuscar as perdas mais fortes no começo do ano, com a primeira semana de 2023 ainda mostrando declínio de mais de 1%.

Em Brasília, Lula abriu a reunião com ministros afirmando que o compromisso de seu governo é unificar o país, e não acabar com as divergências, acrescentando que sua terceira gestão na Presidência é formada por pessoas que pensam diferente. Ele também disse que é possível a economia crescer com responsabilidade.

O encontro ocorre após uma primeira semana de declarações e decisões contraditórias, incluindo a sinalização de acabar com a desoneração dos combustíveis, e o recuo posterior, que atingiu diretamente o ministro da Fazenda. Também pegaram mal falas do ministro da Previdência, que foram contestadas depois.

Nos EUA, o Departamento do Trabalho divulgou que criação de vagas fora do setor agrícola naquele país totalizou 223 mil no mês passado, acima do esperado, enquanto números de novembro foram revisados para baixo. A taxa de desemprego caiu a 3,5%, enquanto a renda média avançou.

"Os dados de mercado de trabalho apontam em direções opostas", avaliou Felipe Sichel, sócio e economista-chefe do Banco Modal.

"Enquanto a taxa de abertura de vagas e a taxa de desemprego indicam um mercado extremamente aquecido e ainda sem reagir ao aperto acumulado das condições financeiras de 2022, a taxa de salários e a média de horas trabalhadas sugerem perda de momento consistente com os objetivos do Federal Reserve", acrescentou.

DESTAQUES

- VALE ON avançava 1,14%, a 91,94 reais, endossada pela alta dos preços dos contratos futuros do minério de ferro na Ásia, em dia de ganhos também de siderúrgicas em meio a notícias sobre aumento de preços no setor. CSN ON registrava acréscimo de 4,61%.

- AMERICANAS ON tinha elevação de 3,72%, a 10,05 reais, buscando apoio em novo alívio na curva futura de juros, que beneficiava também outros papéis sensíveis a essa variável, notadamente de consumo, mas também do setor imobiliário. CYRELA ON subia 3,51%.

- PETROBRAS PN perdia 0,42%, a 23,78 reais, após duas altas seguidas. Analistas do Morgan Stanley elevaram o preço-alvo dos ADRs da companhia, mas reiteraram a recomendação 'equal weight', avaliando que o cenário para os dividendos da companhia não justificariam a exposição à ação. PETROBRAS ON operava próximo da estabilidade, a 27,08 reais.

- LOJAS RENNER ON subia 2,94%, a 19,25 reais, tendo ainda como pano de fundo relatório do Citi cortando projeções e o preço-alvo da varejista de vestuário, mas mantendo recomendação de "compra", avaliando que ela tem as "ferramentas certas para enfrentar esses tempos mais desafiadores em 2023".

- KLABIN UNIT perdia 1,46%, a 20,27 reais, em sessão negativa para o setor de celulose, com SUZANO ON cedendo 0,66%, a 49,93 reais, tendo de pano de fundo a queda do dólar em relação ao real.

- HAPVIDA ON recuava 3,14%, a 4,62 reais, tendo no radar relatório do JPMorgan cortando a recomendação dos papéis para "neutra", citando fortes ventos contrários para o crescimento e a rentabilidade da companhia. O preço-alvo foi reduzido de 9,50 reais para 5,50 reais.

- EDP BRASIL ON caía 1,23%, a 19,33 reais, com outras elétricas também na coluna negativa do Ibovespa. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) passou a prever queda da carga de energia elétrica no Brasil em janeiro, ao mesmo tempo que ajustou para cima suas estimativas para nível de reservatórios e chuvas no Sudeste/Centro-Oeste ao final do mês.