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Ibovespa bate novo recorde intradiário com cenário externo; dólar sobe

Ana Carolina Neira, Lucas Hirata e Marcelo Osakabe

No primeiro dia de negociações de 2020, os mercados financeiros nacionais operam influenciados pelo cenário exterior favorável. A expectativa pela iminência de um acordo comercial entre China e Estados Unidos e novas medidas chinesas para impulsionar a atividade no país impulsionam principalmente as bolsas de valores, ajudando o Ibovespa a bater novo recorde de pontuação intradiária.

Apesar do otimismo do começo de ano, o dólar sobe perante o real, em um movimento de acomodação, enquanto os contratos de juros futuros operam perto da estabilidade.

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O Ibovespa continua a trilhar um caminho de valorização e recordes sequenciais. Em um dia de ganhos nas bolsas de todo o mundo, o Ibovespa subia 1,88%, aos 117.817 pontos por volta das 16h. Na máxima, foi aos 118.126 pontos – novo recorde histórico.

De forma geral, o bom desempenho das ações vem com a declaração do presidente americano, Donald Trump, de que deve assinar um acordo comercial de fase 1 com a China no próximo dia 15. Além disso, o corte do compulsório anunciado pelo Banco do Povo da China (PBOC) traz ânimo adicional para os investidores.

No noticiário corporativo, o maior destaque positivo do Ibovespa nesta manhã é B3 ON (5,08%), segunda ação mais negociada de todo o mercado à vista, ficando atrás somente de Petrobras PN.

A B3 informou nesta quinta novas políticas de tarifas para a renda variável e mercado de balcão, com o objetivo de simplificar a cobrança e facilitar a vida de pequenos investidores, incluindo pessoas físicas. Ainda segunda a bolsa, essas mudanças visam estimular o aumento dos volumes negociados por meio de descontos mais profundos para clientes que ampliarem seus volumes.

A novidade tem sido bem recebida pelo mercado, apesar do possível impacto negativo na receita da empresa, afirma um analista que preferiu não ser identificado. Para ele, o anúncio indica que a B3 está tomando desde já algumas medidas para lidar com possíveis concorrentes.

Câmbio

Após passar boa parte da manhã do primeiro pregão do ano perto da estabilidade, o dólar comercial se firmou em alta no início desta tarde, em um movimento de ajustes após a queda acumulada em dezembro. Por volta das 16h, a moeda americana avançava 0,39%, aos R$ 4,0255.

“Querendo ou não, existe uma acomodação em relação aos movimentos recentes”, diz Cleber Alessie Machado, operador da H. Commcor. No mês passado, a moeda americana recuou de 5,42% ante o real.

O movimento também não afeta o risco-país medido pelo spread do contrato de Credit Default Swap (CDS) de cinco anos. Esta manhã, ele operava aos 99 pontos, no mesmo patamar dos últimos quatro pregões.

A alta do dólar no Brasil está em linha com o fortalecimento da moeda americana lá fora neste pregão, em especial contra divisas de países desenvolvidos. “Após se enfraquecer no fim de 2019, o dólar iniciou 2020 em um tom mais robusto. O movimento é intrigante, considerando o tom construtivo que deveria ajudar os ativos de risco”, diz relatório do banco Wells Fargo.

Juros

O mercado de juros futuros começa o ano de 2020 em ritmo mais lento de operações. Em um dia de liquidez contida e poucos catalisadores para dar direção às apostas, as taxas oscilam bem perto da estabilidade enquanto os participantes do mercado monitoram alguma desaceleração em indicadores de inflação, após os picos nos últimos meses de 2019.

O DI janeiro/2021 saía de 4,56% no ajuste anterior para 4,54%, enquanto o DI para janeiro de 2022 operava estável, em 5,28%. O que traz alguma pressão de alta para taxas intermediárias, entretanto, é o ajuste global do dólar, que sobe contra boa parte das divisas no mundo, inclusive o real. Com isso, o DI para janeiro de 2023 saía de 5,79% para 5,81%.

Em vencimentos um pouco mais longos, o contrato de DI para janeiro/2025 tinha taxa de 6,43%, estável ante o ajuste passado.

O principal tema no âmbito doméstico para 2020 está associado ao ritmo de aceleração da atividade, em um ambiente de maior confiança dos participantes do mercado. Essa é a avaliação dos analistas da Macro Capital, que veem inflação ancorada e abaixo do centro da meta no fim de 2020.

“Nesse ambiente, há espaço para redução adicional da taxa Selic, como um seguro adicional para estimular a economia, e sua estabilidade nesse patamar durante o restante do ano”, dizem.

O que traz algum alívio para a perspectiva de inflação contida é a desaceleração nos índices de preços. Divulgado nesta quinta, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) voltou a desacelerar, para 0,77% na medição do encerramento de dezembro, vindo de 0,86% na imediatamente anterior, a terceira do mês. Com esse resultado, o indicador acumula alta de 4,11% no ano e 4,11% nos últimos 12 meses.