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Ibovespa caminha para encerrar semana com alta de 10%

Marcelle Gutierrez

Durante toda a semana, a bolsa brasileira sobe favorecida pelo cenário global de maior liquidez e baixa taxa de juros, o que eleva o apetite ao risco O cenário de excesso de liquidez, taxas de juros baixa e dados econômicos menos desanimadores deixa o mercado mais inclinado ao risco, o que leva o Ibovespa ao melhor desempenho semanal desde o início de abril.

Hoje, dados surpreendentemente positivos do mercado de trabalho americano, o payroll, corroboraram para a sinalização de que a recuperação da economia mundial tende a ser em “V”.

Às 13h45, o Ibovespa subia 2,27%, aos 95.962 pontos, depois de bater 97.356, com valorização acumulada na semana perto de 10%. A última vez em que o Ibovespa registrou ganhos superiores a 10% em uma semana foi no período encerrado em 9 de abril, de 11,71%, aos 77.681 pontos.

O rali visto nesta primeira semana de junho também levou o Ibovespa para perto dos 97 mil pontos, alcançado pela última vez em 6 de março, de 97.996 mil pontos no fechamento. Na máxima intradiária de hoje, o índice chegou nos 97.356 pontos (3,76%).

No geral, a explicação para a forte retomada da bolsa brasileira está na liquidez do mercado, em excesso após medidas de estímulo contra a pandemia, e na taxa de juros baixa, não deixando outra opção ao investidor a não ser tomar mais risco para obter maior retorno.

E o mercado atrativo no momento parece estar no Brasil, com preços mais baixos após apresentar o pior desempenho entre os pares globais no ápice da crise. Em março, o Ibovespa recuou 51,05% em dólar e, em 2020, até maio, a queda foi de 43,9%. O desempenho é bem pior do que outro par na América Latina, o México, por exemplo, que recuou em dólar 28,8% em 2020 até maio.

Em relatório divulgado nesta semana, o Goldman Sachs destacou o Ibovespa como o preferido entre o mercado acionário dos emergentes, já que as ações têm apresentado o pior desempenho desde janeiro, “oferecendo a melhor oportunidade de recuperação se o sentimento de retomada do risco global persistir”.

Também segundo o banco, a América Latina é a região com maior espaço para melhora no cenário global de crescimento e avanço das commodities.

Ao observar o volume financeiro do Ibovespa nesta semana fica clara a força compradora por aqui. Hoje, o índice totalizava giro de R$ 14,5 bilhões no começo da tarde, com projeção de atingir R$ 33,8 bilhões ao fim do pregão. Durante a semana, a média diária ficou em R$ 22,2 bilhões, contra a média de 2020 de 19,9 bilhões.

Outro dado positivo é do investidor estrangeiro, com fluxo líquido positivo de R$ 1,78 bilhão em junho até o dia 3.

Uma gestora de fundos de investimento no Brasil, que prefere não ser identificada, explica que essa troca de ativos mais defensivos por aqueles mais arriscados começou com a reabertura das economias pelo mundo e a menor preocupação de uma segunda onda de contaminações pela covid-19.

Dados econômicos que têm sido divulgados nesta semana também levam a crer que a recuperação da economia mundial será em “V”, ou seja, após uma queda rápida haverá um crescimento rápido.

Hoje, um dado da economia americana corroborou com esta sinalização, o payroll dos Estados Unidos, que foi surpreendentemente positivo e deu gás ao Ibovespa atingir os 97 mil pontos. O Departamento do Trabalho americano informou que foram a adicionados 2,5 milhões de empregos nos EUA em maio, contrariando as expectativas de perda de 8,3 milhões.

Os preços do petróleo também se recuperam rápido e junto levam as ações da Petrobras, que correspondem a quase 10% do Ibovespa.

O contrato para agosto do Brent avança 5,38% hoje, a US$ 42,14 o barril, com alta de 12,15% na semana, diante da expectativa que os membros da Opep estendam o corte na produção em mais de 9 milhões de barris para julho. Petrobras ON avança 3,56% e Petrobras PN sobe 4,01%.

Entre as maiores altas do Ibovespa neste pregão e na semana, destaque para as companhias aéreas e de turismo, as que mais sofreram na crise. Azul PN avança 11,9%, Gol PN (9,39%) e CVC Brasil ON (7,78%). Nesta semana, essas são as ações que mais sobem, 48,19%, 55,11% e 49,86%, respectivamente.

“O mercado com excesso de dinheiro, precisando se posicionar em ações, procura ativos com preços atrativos mesmo sem fundamento”, explica Filipe Villegas, estrategista da Genial Investimentos.

No campo negativo figuram as exportadoras, diante da baixa de 3,22% do dólar ante o real, a R$ 4,9643. Na semana, a moeda americana cai 6,93%.

Suzano ON tem baixa de 3,99%, Minerva ON (-2,62%), Marfrig ON (-2,28%) e Klabin units (-1,22%).

Silvia Zamboni/Valor