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Ibovespa acentua perda no dia e impacta ganho da semana; dólar cai

Ana Carolina Neira

Para analistas, o clima mais deteriorado por aqui tem relação não apenas com o avanço do coronavírus Encaminhando-se para o fim do pregão, o Ibovespa acentuou perdas nesta tarde, com recuos mais intensos do que aqueles observados em outras bolsas pelo mundo. Às 16h15, o índice cedia 1,12%, aos 114.364. Na semana, ele sobe apenas 0,51% e, no ano, registra uma baixa de 1,12%.

O giro financeiro está dentro da média para um meio de tarde e soma R$ 8,4 bilhões. Se continuar assim, deve atingir a média diária dos pregões de 2019 até o fim do dia, de R$ 12,3 bilhões.

Somando um cenário interno mais fraco com as dúvidas sobre como se dará o avanço e o controle do coronavírus durante o fim de semana, a ordem é tomar mais proteção.

Para analistas, o clima mais deteriorado por aqui tem relação não apenas com o avanço do coronavírus que assusta o mundo todo, mas também a repercussão do IBC-Br, conhecido como a prévia do PIB, recuou 0,27% em dezembro, na comparação dessazonalizada com o mês anterior. Os números mostram que a economia brasileira perdeu força no fim do ano passado, levantando dúvidas sobre a real recuperação econômica.

Além disso, investidores já passam a pensar para um horizonte mais longo, já que a sequência de indicadores piores que o esperado nos últimos meses indica que a economia ainda precisa de novos estímulos e uma Selic ainda mais baixa. Mas, além de questionar quais os reais efeitos de um novo corte na taxa básica de juros, agentes também preocupam-se com os efeitos disso sobre o câmbio, com um diferencial de juros ainda mais estreito.

"Hoje a diferença de juros muito pequena entre Estados Unidos, com uma economia forte, e Brasil, ainda pavimentando um caminho de crescimento, é bem pequena e isso já vem afastando o investidor. Caso essa diferença fique ainda menor, nosso mercado se torna ainda menos atrativo porque não temos um crescimento concreto", diz um gestor que prefere não ser identificado.

Para Marcus Duarte Labarthe, sócio-fundador da GT Capital, o cenário atual exige maior cuidado dado o nível de volatilidade e os desafios externos. "Ano passado estava relativamente mais fácil atingir rentabilidade na bolsa, havia mais espaço para os ativos subirem no geral apesar de outros obstáculos. Hoje o investidor precisa ser mais seletivo porque muita coisa já andou e temos outras interferências e a questão do juros mais baixos tem relação com isso, com esse momento de baixa do Ibovespa", diz.

Nesta tarde, a bolsa brasileira também recuava com mais força quando compara a outros emergentes como México (-0,21%), Colômbia (-0,13%) e Chile (-0,46%).

Dólar

O dólar mantém a trajetória de baixa no pregão desta sexta-feira, reagindo ao novo leilão de swap cambial do Banco Central e também um ambiente no exterior mais tranquilo. Por volta das 16h25, a moeda americana cedia 0,79%, aos R$ 4,2997.

O comportamento é uma continuação do pregão da véspera, quando o dólar chegou a tocar R$ 4,38, mas a cotação foi rapidamente derrubada após o BC realizar um leilão extraordinário de swap cambial.

Assim como ontem, a autoridade monetária vendeu integralmente o lote de 20 mil contratos de swap cambial.

Para analistas do Citi, o leilão do BC desta manhã é uma resposta ao mercado, que teria “testado a determinação” da autoridade monetária ao tentar levar a moeda americana a um fechamento estável ontem, apesar da intervenção. “No mínimo, o real não é mais um hedge óbvio para risco em outros ativos emergentes”, diz o banco em relatório.

A mensagem de que o BC está atento à escalada recente do dólar contribui para uma estabilização da cotação no Brasil, que sobe há seis semanas consecutivas. Segundo o BNP Paribas, apenas em quatro ocasiões, desde 2007, o dólar engatou uma sequência parecida. Caso encerre o dia neste patamar, a moeda americana terá acumulado queda de 0,20% na semana.

“O dólar tenta agora se acomodar em um novo patamar, que imaginamos ser algo perto de R$ 4,30”, diz Jefferson Lima, responsável pela mesa de câmbio e juros da CM Capital.

De acordo com fontes do mercado, o desempenho recente real, que tem ficado abaixo dos demais emergentes há algum tempo, justifica a intervenção do BC. “Não tira a primazia do mercado em determinar a taxa de câmbio, mas ajuda a suavizar um movimento de volatilidade”, explica uma fonte, que vê a intervenção em momentos de estresse ou de falta de liquidez como adequada.

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