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Ibovespa encerra semana em queda de 8,37%

Marcelle Gutierrez

Este foi o pior desempenho desde a semana encerrada em 5 de agosto de 2011 A chegada do coronavírus (Covid-19) em outros países além da China, inclusive ao Brasil, disseminou uma onda de aversão ao risco nos mercados, em meio aos temores de que a doença possa paralisar a economia mundial, mesmo que temporariamente.

O Ibovespa caiu 8,37% nessa semana, que foi marcada pelo feriado de Carnaval e teve apenas três pregões. Este foi o pior desempenho desde a semana encerrada em 5 de agosto de 2011. Naquele período, o Ibovespa caiu 9,99%.

Durante o dia, o índice chegou a perder o patamar dos 100 mil pontos, ao atingir a mínima de 99.951 pontos (-2,9%), mas nos ajustes acelerou e fechou na máxima do dia de 104.172 pontos, uma alta de 1,15%.

A virada na reta final do pregão é justificada pelo ajuste de carteiras, já que hoje é o fechamento do mês de fevereiro. Muitos investidores migraram de papéis de risco - aéreas e commodities - para ações mais seguras, como bancos, ou aproveitaram a baixa do mercado para compras.

Tanto que o volume financeiro foi forte hoje, de R$ 29,6 bilhões e intensificado ao fim da sessão. O giro foi próximo do registrado ontem, de R$ 29,8 bilhões. Assim, o volume médio diário de fevereiro foi de R$ 20,09 bilhões, acima da média de R$ 16,3 bilhões em janeiro.

O desempenho da bolsa brasileira na semana foi melhor do que os índices acionários de Nova York. O Dow Jones perdeu 12,36%, o S&P 500 (-11,49%) e o Nasdaq (-10,54%).

Ibovespa cai 8,37% na semana; dólar avança 2,01%

André Pimentel, diretor de investimentos da Infinity Asset, explica que, apesar de a taxa de mortalidade do coronavírus ser de aproximadamente 3%, a velocidade de propagação é alta. Isso afeta a atividade econômica dos países à medida que mais contaminados entram em quarentena e há indicações para que a população evite aglomerações, viagens, fábricas param, escolas fecham, etc “Ninguém sabe quanto tempo vai durar e o aviso de que chegou ao Brasil afeta a economia local”, diz Pimentel.

Na semana, os papéis que mais sofreram à crise do coronavírus foram as aéreas. Gol PN caiu 24,31% e Azul PN teve queda de 20,14%. Hoje, os recuos foram de 3,03% e 1,53%, respectivamente.

Os bancos, por outro lado, figuraram entre as ações menos penalizadas na semana, atrás de IRB ON, que subiu 2,24%. Itaú Unibanco PN recuou 2,08%, Bradesco PN (-4,02%), Santander units (-2,47%) e Banco do Brasil ON (-4,07%).

Os bancos foram apontados por profissionais do mercado como as ações de mais qualidade, isto é, menos expostas aos riscos do coronavírus. Além disso, estavam descontadas ante outros papéis do Ibovespa, isto é, com preços mais baixos.

Hoje, Itaú Unibanco PN encerrou em alta de 2,99%, Bradesco ON subiu 2,40%, Banco do Brasil ON (2,34%) e Bradesco PN (1,87%).

Pimentel, da Infinity Asset, explica ainda que há a expectativa de o Banco Central liberar mais compulsórios, o que seria natural em um cenário de desaceleração da economia mundial.

Apesar da crise do coronavírus, muitos agentes do mercado seguem positivos em bolsa. O Aberdeen Aberdeen Standard Investments, por exmplo, não reduziu exposição em bolsa e fundamenta sua visão positiva na expectativa de crescimento do lucro das empresas, inflação sob controle e taxa de juros baixa.

Em entrevista ao Valor, a gestora de investimentos do Aberdeen Standard Investments, Brunella Isper, conta que apesar de a expansão econômica do país ainda não ter vindo “forte”, as empresas cortaram custos e estão mais eficientes. Além disso, a taxa de juros baixa, atualmente em 4,25% ao ano, auxiliou na desalavancagem e propicia investimentos em projetos.

“Deixando de lado o crescimento que ainda não veio, as empresas estão mais sólidas, com boa gestão, e tomaram atitudes corretas de continuar investindo no próprio negócio. Se fortaleceram para quando o crescimento econômico voltar”, diz.

Ibovespa mercado ações

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