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Ibovespa fecha em alta com recomendação de bancos por ações

Juliana Machado

Demanda por risco se fortaleceu e Ibovespa subiu 1,54% Apesar dos vívidos receios na cena internacional envolvendo as tensões comerciais entre China e EUA, o cenário de interesse pelo risco (“risk on”, no jargão do mercado) continua dando suporte à demanda na bolsa de valores. Hoje, novo capítulo na confiança dos gestores veio depois de uma leva de grandes casas internacionais recomendando alocação em ações brasileiras, evento que serviu de suporte para levar o Ibovespa a subir mais de 1% — e com impulso da maioria das ações, não somente as mais líquidas.

No fechamento, o Ibovespa teve um ganho de 1,54%, aos 107.497 pontos, na máxima do dia. O giro financeiro deu demonstrações da intensidade dos negócios no dia: somou R$ 15,1 bilhões, acima da média diária negociada nas sessões de 2019, de R$ 12,5 bilhões.

Entre os ativos mais líquidos, veículo preferido das grandes casas estrangeiras e locais para ajustar sua exposição no mercado, os bancos avançaram, como se viu em Banco do Brasil (1,29%), Bradesco (1,16% a ON e 0,57% a PN) e Itaú Unibanco (1,02%). A Vale (0,52%) firmou um fechamento no azul, depois de oscilar sem direção definida no dia, enquanto a Petrobras ganhou terreno (2,66% a ON e 3,72% a PN).

O otimismo é atribuído a uma visão favorável que o mercado, no geral, tem com os ativos de renda variável, ainda pautado pelos bons fundamentos da economia brasileira, como o juro baixo, a expectativa de retomada da atividade e o avanço dos lucros das empresas. Essa percepção conduziu hoje uma leva de recomendações de compra de papéis brasileiros, caso do UBS Wealth Management, BTG Pactual e Credit Suisse.

Hoje, com a volta das negociações após o feriado do Dia da Consciência Negra, o investidor também aproveitou para ajustar sua posição nas ações aqui ao que se viu no mercado americano ontem. Os principais recibos de ações (ADRs) de companhias brasileiras terminaram em alta ontem em Nova York, como a Petrobras.

Na mais recente revisão para o mercado brasileiro, o UBS Wealth Management elevou a recomendação para as ações na carteira tática da gestora do equivalente à compra (“overweight”, ou acima da média do mercado) para uma recomendação de “forte compra” (“strong overweight”, muito acima da média), segundo relatório assinado pelos estrategistas Ronaldo Patah e Alejo Czerwonk.

“Pela primeira vez em cinco anos, a economia brasileira está com o caminho livre para o crescimento, depois de tirar da frente impedimentos como a turbulência eleitoral e bloqueios legislativos à reforma fiscal”, diz o documento enviado a clientes. “Acreditamos que o caminho é fértil para uma expansão saudável e consistente do PIB nos próximos anos, amparada tanto pelo aumento do consumo, quanto dos investimentos.”

O Brasil é a única região em que existe um consenso de revisão para cima para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e de cortes da inflação, o que mantém a atratividade do mercado local, afirmou o Credit Suisse. Em comentário enviado mais cedo a clientes, o banco manteve a sua recomendação acima do neutro, equivalente à compra (“overweight”), para ações brasileiras.

“As revisões [do PIB e da inflação] podem continuar acontecendo por um tempo, pois ainda enxergamos que o país é o que apresenta a combinação mais atrativa de crescimento forte com maior hiato entre o PIB real e o PIB potencial”, diz o relatório do banco, que acredita que o real ainda está barato.

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