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Ibovespa opera em queda com ajuste após tombo de mercados globais na véspera

Ana Carolina Neira

Enquanto lá fora as bolsas operam em alta, recuperando-se da baixa anterior, mercado local busca reajustar posições O Ibovespa opera em queda nesta sexta-feira, o último pregão de uma semana marcada pela realização de lucros do investidores após o curto rali visto na bolsa anteriormente. Hoje, além deste movimento técnico, também pressiona o índice um ajuste, já que os índices globais tiveram um pregão de estresse na véspera, quando a B3 esteve fechada por conta do feriado.

O temor sobre uma segunda onda de infecções por coronavírus nos Estados Unidos e o medo em torno do real tamanho da recessão enfrentada na maior economia do mundo forçaram uma onda de vendas ontem e os mercados globais aproveitam o pregão de hoje para uma recuperação.

Ainda ajustando-se a este cenário, o Ibovespa recuava 2,78%, aos 92.052 pontos, por volta de 13h40. No mesmo horário, o giro financeiro era de R$ 12,8 bilhões, o dobro do esperado para o momento.

Na avaliação de Victor Candido, gestor da Journey Capital, a queda vista ontem nos mercados globais e refletida hoje no Brasil é um pouco irracional e deve ser considerado que todas as bolsas subiram consideravelmente na última semana, tornando essa desvalorização algo esperado.

"Não dá para dizer que caiu tanto só com base no noticiário, é preciso olhar para o tanto que as bolsas se valorizaram de maneira generalizada, no mundo todo, para entender os motivos da queda atual", diz.

Para o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, há notícias mais positivas vindas o exterior, mas por enquanto não há como elas se refletirem por aqui.

"O diretor econômico da Casa Branca já garantiu que não vai deixar a economia americana parar e o investidor se anima, claro, mas hoje o dia é de precificação do estresse de ontem, não tem jeito. Além disso, é o último pregão da semana, segunda-feira é dia de vencimento de opções, então os investidores preferem se proteger", explica.

Além disso, gestores não hesitam em apontar que o mercado já opera de olho no cenário de 2021, tendo 2020 como um ano perdido, aguardando sinais sobre na recuperação econômica e no lucro das empresas a partir do ano que vem.

As maiores pressões vistas no Ibovespa eram Ambev ON (-3,72%), B3 ON (-2,31%), BB ON (-2,34%), Bradesco (-3,09% a ON e -1,55% a PN), Itaú PN (-1,39%), Petrobras (-4,31% a ON e -4,49% a PN) e Vale ON (-2,64%). Somente Minerva ON (1,49%) e Carrefour Brasil ON (1,44%) operavam em alta.

Outros destaques negativos são CVC Brasil ON (-9,27%), Azul PN (-8,26%) e Gol PN (-7,11%), os ativos mais castigados desde o início da crise do coronavírus em março e que já passaram por recuperação parcial nos meses seguintes e por isso mesmo ainda bastante voláteis, com investidores buscando um preço mais equilibrado. Braskem PNA (-7,73%) também está entre as maiores perdas após o banco UBS revisar sua recomendação de "compra" para "neutro".

Andre Penner/AP