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IBGE: Desemprego é de 11,2% no trimestre até janeiro e atinge 11,9 milhões

Bruno Villas Bôas

Nível de desocupação ficou abaixo daquele esperado pelas instituições ouvidas pelo Valor Data, de 11,3% A taxa de desemprego nacional foi de 11,2% no trimestre móvel de novembro de 2019 a janeiro de 2020, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado sinaliza uma queda frente ao trimestre móvel imediatamente anterior (agosto a outubro de 2019), quando a taxa estava em 11,6%, e na comparação ao mesmo período do ano anterior, quando o nível estava em 12%.

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Essas são as bases de comparação consideradas corretas pelo IBGE, respeitando o modelo de amostragem da pesquisa. No quarto trimestre de 2019, a taxa de desemprego estava em 11%.

O resultado registrado nos três meses até janeiro ficou ligeiramente abaixo da mediana das projeções de 32 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, de alta para 11,3%. As projeções colhidas iam de 10,8% a 11,9% para o período.

De acordo com a pesquisa, a população desempregada — formada por pessoas que procuraram emprego sem encontrar — somava 11,9 milhões, com recuo de 3,7% frente ao trimestre móvel encerrado em outubro, o que significa que 453 mil pessoas deixaram a fila do emprego. Frente ao mesmo período de 2019, esse contingente mostrou queda de 5,6%, ou 712 mil pessoas a menos.

O desemprego cai no trimestre móvel até janeiro apesar da quantidade relativamente baixa de vagas geradas. O país tinha 94,151 milhões de pessoas ocupadas (empregados, empregadores, servidores públicos etc.) no trimestre móvel até em janeiro, 0,1% a mais frente ao trimestre móvel até outubro de 2019. Isso significa 97 mil pessoas a mais.

A explicação para isso está no forte aumento da população fora da força de trabalho (que não estão procurando emprego e nem trabalhando). Esse contingente cresceu 1,3% no trimestre móvel até janeiro, o que representa 873 mil pessoas a mais. O total de pessoas fora da força de trabalho chegou a 65,733 milhões.

Desalento e subutilização

O país tinha 4,698 milhões de pessoas em desalento no trimestre móvel encerrado em janeiro, 83 mil pessoas a mais na comparação ao trimestre móvel anterior, alta de 1,8%, mostrou o IBGE. Desalentada é a pessoa que está fora da força de trabalho — ou seja, não está empregada e nem tomou providências efetivas para conseguir emprego, como cadastrar-se em sites de emprego, olhar anúncios em jornais — embora aceitassem uma vaga se alguém oferecesse.

Quando comparado ao mesmo período do calendário anterior, o desalento está 0,5% maior, o correspondente a 25 mil pessoas a mais.

Claudio Belli/Valor

Apesar de ter crescido no trimestre móvel até janeiro, o desalento não explica o aumento da população fora da força de trabalho no período, uma dos motivos para a queda da taxa de desemprego neste início de ano. Desalentado desiste de procurar por achar que não vai conseguir uma vaga. A população que foi para fora da força não quis procurar.

A pesquisa mostrou também que o número de trabalhadores subutilizados — conceito que engloba desempregados, empregados que gostariam e poderiam trabalhar mais horas e os desalentados — recuou 2,7% no trimestre até janeiro, frente aos três meses anteriores, para 26,390 milhões.

Segundo o IBGE, a taxa de subutilização era de 23,2% no trimestre móvel até janeiro, abaixo da taxa de 23,8% do trimestre móvel encerrado em outubro do ano passado.

Salário

O salário médio do trabalhador brasileiro abriu 2020 com aumento médio acima da inflação. O rendimento habitualmente recebido em todos os trabalhos foi de R$ 2.361 no trimestre encerrado em janeiro deste ano, 0,5% acima do período de agosto a outubro de 2019 (R$ 2.350).

Quando comparado ao mesmo período de 2019, a renda ficou estável, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Das atividades acompanhadas pelo IBGE, o destaque foi o aumento da renda do servidor do setor público sem carteira assinada, que passou a ganhar 4,2% a mais no trimestre móvel até janeiro, frente ao trimestre móvel anterior, para R$ 2.036. São geralmente servidores em cargos de comissão.

Já o empregador sem CNPJ registrou queda em sua renda no trimestre móvel até janeiro, de 1,3% frente aos três meses anteriores, para R$ 3.719.

A massa de rendimento real habitualmente recebida por pessoas ocupadas (em todos os trabalhos) somou R$ 217,399 bilhões de novembro a janeiro, 0,7% maior do que o trimestre móvel anterior e 2,2% maior do que no mesmo período do ano anterior.

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