IBC-Br traz viés de alta para juros futuros

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR) em outubro, que ficou dentro do intervalo esperado pelo mercado, acabou não alterando de forma decisiva a dinâmica de prêmios na curva de juros. As taxas dos contratos futuros fecharam esta sexta-feira em alta, mas próximas dos ajustes da quinta-feira, ainda refletindo a percepção de que a Selic deve permanecer em 7,25% durante todo o ano de 2013. Alguns dados positivos vindos da China e dos EUA contribuíram para a elevação, apesar da persistência dos temores com o abismo fiscal norte-americano.

Ao fim da sessão regular, o contrato futuro de juros com vencimento em outubro de 2013 (10.280 contratos) marcava 7,05%, ante 7,03% do ajuste de quinta-feira. Já o contrato para janeiro de 2014 (191.665 contratos) estava em 7,09%, na máxima do dia, ante 7,06% do ajuste, enquanto o DI para janeiro de 2015 (99.695 contratos) marcava 7,63%, também na máxima, ante 7,56%. Entre os vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2017 (63.330 contratos) estava em 8,45%, na máxima, ante 8,41%, e o contrato para janeiro de 2021 (6.755 contratos) tinha taxa de 9,16%, na máxima, ante 9,13%.

Operadores não apontaram um motivo específico para que, no encerramento da sessão regular, boa parte das taxas aparecesse nas máximas - embora ainda muito próximas dos ajustes anteriores. O volume mais baixo no mercado, dado a proximidade das festas de fim de ano, pode ter favorecido o movimento.

Pela manhã, o BC informou que o IBC-Br subiu 0,36% em outubro ante setembro. O resultado demonstra uma aceleração da atividade, já que em setembro ante agosto houve queda de 0,52%. A elevação do IBC-Br de outubro superou a mediana das estimativas colidas do AE Projeções (0,30%) e ficou dentro do intervalo previsto (de -0,10% a 1,60%). Na comparação com outubro de 2011, o IBC-Br teve alta de 4,96% em outubro deste ano, na série sem ajustes sazonais. Neste caso, o indicador também ficou acima da mediana esperada (4,70%) e dentro do intervalo de previsões (de +1,09% a +5,70%).

"O IBC-Br veio até melhor, mas a expansão já era esperada, em função de dados divulgados anteriormente, como o das vendas do varejo", comentou Maurício Nakahodo, consultor de pesquisas econômicas do Banco de Tokyo-Mitsubishi UFJ. Segundo ele, além do IBC-Br levemente acima da mediana esperada, os indicadores divulgados mais cedo no exterior influenciaram os leves ganhos das taxas dos DIs. "Eles acabaram animando um pouco, contrabalançando a falta de acordo em relação ao abismo fiscal dos Estados Unidos."

Mais cedo, a provedora de dados Markit informou que o índice de atividade dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial dos EUA subiu para 54,2 na leitura preliminar de dezembro, ante 52,8 em novembro. Leituras acima de 50 indicam expansão da atividade. Já o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) anunciou alta de 1,1% na produção industrial em novembro ante outubro - bastante acima do aumento de 0,2% esperado pelos economistas. Na China, o índice PMI preliminar medido pelo HSBC subiu para 50,9 em dezembro, o nível mais alto em 14 meses, ante 50,5 em novembro.

"Os dados dos Estados Unidos e da China fizeram preço. Este conjunto de indicadores mostraram uma melhora da atividade econômica, o que trouxe um viés de alta para as taxas de juros no Brasil", comentou Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil. Segundo ele, a curva a termo segue precificando manutenção da Selic "praticamente 2013 todo" - um cenário que está alinhado às comunicações mais recentes do Banco Central e de suas autoridades, que sinalizam estabilidade das condições monetárias "por um período de tempo suficientemente prolongado".

Porém, alguns profissionais alertam que isso pode mudar, caso o acordo para evitar o abismo fiscal norte-americano não seja alcançado ou caso haja um acordo parcial entre os congressistas. Daqui até o fim do ano, os investidores em juros ficarão de olho principalmente nas negociações políticas nos EUA.

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