IBC-Br traz viés de alta para juros antes de Copom

O resultado melhor que a mediana das estimativas do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em novembro, tanto em base mensal quanto anual, trouxe viés de alta para os juros futuros na manhã desta quarta-feira, dando continuidade ao movimento iniciado ontem. Porém, as oscilações das taxas futuras são contidas, à espera da confirmação, pela autoridade monetária, de manutenção da taxa Selic em 7,25% ao ano ao término da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta noite.

"Os DIs devem operar com ligeiras altas hoje, especialmente na parte curta e média (da curva a termo)", prevê Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria Integrada. Além do IBC-Br, a aceleração do Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) reforça preocupações com a inflação e favorece a alta dos juros futuros.

O IBC-Br subiu 0,40% em novembro de 2012, na comparação com outubro, com ajuste. As projeções dos analistas iam de queda de 0,20% a alta de 0,45%, com mediana positiva de 0,20%. Em relação a novembro de 2011, o IBC-Br avançou 2,76%. As estimativas eram de alta de 1,90% a 2,84%, com mediana de 2,34%.

O indicador de outubro ante setembro foi revisado em alta, para 0,40%, de 0,36% inicialmente, com ajuste. O mesmo ocorreu com julho ante junho (de 0,06% para 0,07%, com ajuste) e com o resultado do terceiro trimestre do ano passado, de +1,14% para +1,15%, com ajuste. O IBC-Br é utilizado como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira.

"O crescimento do IBC-Br em novembro deve ter refletido a expansão do setor de serviços, já que houve queda das vendas no varejo (no conceito ampliado) e da produção industrial no período", avalia o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco. A equipe projeta, para dezembro, que o indicador siga em alta, diante da expectativa de avanço do comércio varejista e do setor de serviços, a despeito de certa estabilidade esperada para a produção industrial no período.

Mais cedo, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou a inflação medida pelo IPC-S na segunda quadrissemana de janeiro. A taxa foi de 0,89%. No período anterior, encerrado no último dia 7, a alta dos preços foi de 0,77%.

Ainda hoje, termina a reunião do Copom, com anúncio da nova taxa Selic e comunicado da autoridade monetária sobre sua decisão. A manutenção novamente do juro básico em 7,25% ao ano é a aposta amplamente majoritária dos economistas ouvidos pelo AE Projeções. De 80 instituições consultadas, apenas uma casa aguarda um cenário diferente: a AGK Corretora, que prevê corte de 0,25 ponto porcentual, para 7,00% ao ano. A maioria das instituições financeiras também prevê que o Copom manterá a Selic em 7,25% até o fim de 2013.

Às 10h20, na BM&FBovespa, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 projetava taxa de 7,12%, ante 7,11% no ajuste de ontem; o DI com vencimento em janeiro de 2015 tinha taxa de 7,74%, de 7,71%; e o DI com vencimento em janeiro de 2016 marcava 8,24%, de 8,20% no ajuste anterior. Entre os vencimentos mais longos, o contrato para janeiro de 2017 projetava 8,54%, de 8,50% ontem.

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