IBC-Br, inflação e fator técnico fazem juro futuro subir

Dois indicares domésticos e a possibilidade de o Banco Central (BC) tomar alguma medida para corrigir a distorção entre as taxas DI e Selic garantem alta aos juros futuros neste dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) toma sua primeira decisão de 2013. Quase ninguém acredita que a autoridade monetária promoverá alguma mudança na taxa básica hoje, mas o IBC-Br de novembro acima da mediana e o IPC-S pressionado na segunda quadrissemana do mês levam os investidores a rever o patamar dos contratos futuros de juros.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o juro com vencimento em julho de 2013 (196.115 contratos) avançava a 7,06%, de 7,01% no ajuste. A taxa do contrato para janeiro de 2014 (136.120 contratos) projetava máxima de 7,16%, ante 7,11% na véspera. O juro para janeiro de 2015 (136.880 contratos) indicava 7,76%, de 7,71%. Entre os vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2017 (106.745 contratos) tinha taxa de 8,53%, ante 8,50% ontem, e o contrato para janeiro de 2021 (9.790 contratos) marcava mínima de 9,22%, nivelado ao ajuste.

"Há um conjunto de fatores puxando as taxas: o IBC-Br perto do teto das estimativas, o IPC-S pressionado e a nova piora da coleta diária feita pela FGV", afirmou um profissional da área de renda fixa. "Além disso, essa discussão sobre o CDI, que inclui a possibilidade de alguma intervenção por parte do BC, provoca ajuste técnico na curva de DI futuro", continuou a mesma fonte.

Na manhã desta quarta-feira, o Banco Central informou que o IBC-Br subiu 0,40% em novembro de 2012, na comparação com outubro, com ajuste. As projeções dos analistas iam de queda de 0,20% a alta de 0,45%, com mediana positiva de 0,20%. Em relação a novembro de 2011, o IBC-Br avançou 2,76%. As estimativas eram de alta de 1,90% a 2,84%, com mediana de 2,34%.

Pelo lado da inflação, o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) na segunda quadrissemana de janeiro acelerou para 0,89%, ante 0,77% no período imediatamente anterior, encerrado no último dia 7, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Dois profissionais também mencionaram que a informação de que o Banco Central estuda corrigir distorções da taxa DI frente à Selic acabou movimentando o mercado. Segundo reportagem publicada nesta quarta-feira pela Agência Estado, há pelo menos um mês a taxa dos Certificados de Depósitos Interfinanceiros (CDI) mantém uma diferença bastante acima da média histórica sobre a Selic e isso tem sido benéfico para um grupo seleto de bancos. "Os investidores têm de corrigir posições diante dessa possibilidade", afirmou um operador. "Aliás, as taxas futuras só não subiram mais hoje porque uma parcela do mercado mais pessimista com a atividade acaba limitando o avanço."

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