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Ibama exige que Belo Monte libere mais água para rio Xingu em fevereiro

Luciano Costa
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Área do rio Xingu inundada para construção da usina hidrelétrica de Belo Monte

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O órgão ambiental Ibama decidiu que a hidrelétrica de Belo Monte deverá direcionar mais água para um trecho de vazão reduzida do rio Xingu no período de 1 a 7 de fevereiro, mostrou um documento visto pela Reuters, o que deve afetar negativamente a produção de energia do empreendimento no Pará.

A vazão média que a usina deverá liberar no período será de 10.900 metros cúbicos por segundo, de acordo com o documento, assinado pelo presidente do Ibama, Eduardo Bim.

A usina, uma das maiores do mundo, previa operar no próximo mês com vazão de 1,6 mil m³/s nesse trecho do rio, o que permitiria enviar mais água para geração de energia em suas turbinas.

Procurado, o Ibama não respondeu de imediato a um pedido de comentários.

Segundo o ofício do órgão ambiental, a medida visa mitigar impactos ambientais sobre essa região do Xingu.

As vazões a serem adotadas nos meses subsequentes do ano ainda serão objeto de deliberação, de acordo com o documento.

Em paralelo, o Ibama "está avaliando a necessidade de possíveis ajustes nas medidas de mitigação e compensação do empreendimento", escreveu o presidente do instituto no ofício, cuja autenticidade foi confirmada pela Reuters.

A hidrelétrica de Belo Monte, que recebeu investimentos de mais de 30 bilhões de reais, possui 11,2 mil megawatts em capacidade e é uma das maiores do mundo.

A Norte Energia, responsável pelo empreendimento, tem como principais sócios empresas da estatal Eletrobras e elétricas como Neoenergia, Cemig e Light, além da Vale e de fundos de pensão.

Na quarta-feira, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) expressou preocupação sobre os eventuais impactos de decisões do Ibama sobre Belo Monte.

A agência disse que uma eventual redução na produção da usina neste momento exigiria o acionamento de mais termelétricas para atendimento à demanda por energia, o que geraria custo adicional de cerca de 1,3 bilhão de reais para os consumidores de energia somente nos dois primeiros meses do ano.

(Por Luciano Costa)