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Iata: Transporte aéreo global de passageiros terá queda de 36% neste ano

Cibelle Bouças

Em 2021, o tráfego aéreo global de passageiros deverá aumentar 55% em relação a este ano O transporte aéreo global de passageiros começa a apresentar recuperação, mas deverá fechar 2020 com queda de 36% em relação ao ano passado. A estimativa é da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), que reúne as empresas aéreas do mundo.

Em 2021, o tráfego aéreo global de passageiros deverá aumentar 55% em relação a este ano. Ainda assim, o número de pessoas transportadas seria 29% inferior ao de 2019. No ano que vem, a taxa média de ocupação dos voos deverá se manter abaixo de 75%, de acordo com a Iata.

Brian Pearce, economista-chefe da Iata, explicou que as estimativas foram produzidas tendo em vista um ambiente global de testes massivos para a covid-19, mas ainda sem uma vacina.

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Nesse cenário, o setor aéreo deverá encerrar o ano com dívidas de US$ 550 bilhões, ante US$ 430 bilhões no início de 2020.

O endividamento líquido chegará, em 2021, a um volume equivalente a 16 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) esperado para o setor neste ano. Em 2019, a dívida líquida do setor equivalia a 4,6 vezes o seu Ebitda, segundo a Iata.

“Após dez anos consecutivos de lucro, o setor vai enfrentar dois anos consecutivos de prejuízos por causa da covid-19”, afirmou Alexander de Juniac, presidente da Iata.

A associação projeta um prejuízo de US$ 84,3 bilhões para este ano. No próximo, o prejuízo estimado é menor, de US$ 15,8 bilhões. No ano passado, o setor registrou lucro global de US$ 26 bilhões.

Pearce observou que, mesmo antes da pandemia de covid-19, o lucro das companhias aéreas estava concentrado em 30 empresas, de um total de aproximadamente 300.

O economista acrescentou que, em alguns países, as aéreas estão aumentando os preços das passagens como forma de compensar o aumento dos custos para voar e recuperar receita perdida nos meses anteriores.

Mas ele considera que a recuperação do setor se dará principalmente com a retomada da demanda. Pearce acrescentou que, em alguns países, as empresas estão sendo obrigadas a voar com parte dos assentos vazios, como medida de isolamento social.

“É um desafio para as empresas conseguir gerar lucro com parte dos assentos vazios”, observou.

O setor aéreo global deverá encerrar o ano com receita de US$ 419 bilhões, ante US$ 838 bilhões no ano passado, o que representa uma queda de 60,6%. Em 2021, a receita deverá chegar a US$ 598 bilhões, em alta de 43% em relação a 2020, mas ainda 29% abaixo de 2019.

De acordo com a Iata, este é o pior ano da história para o setor. Na média, ele tem perdido por dia US$ 230 milhões no mundo neste ano. O prejuízo médio por passageiro é de US$ 37,54.

Alexandre de Juniac, presidente da associação, comemorou as iniciativas de governos e das empresas, que trabalham em conjunto para garantir o reinício das operações das empresas aéreas.

“Também vemos uma preocupação dos governos e das empresas em definir padrões de segurança sanitária nos aeroportos e aviões, para estimular os consumidores a voltarem a voar. É uma indústria resiliente e vai se recuperar da crise”, afirmou.

Segundo a entidade, os governos já investiram no setor aproximadamente US$ 123 bilhões neste ano, o que deve ajudar na recuperação das empresas.