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Iata: Tráfego global de passageiros cresceu 30% entre maio e abril

Cibelle Bouças

Segundo a associação, “tudo indica que o ponto mais baixo para o setor aéreo se deu em abril” O transporte aéreo global de passageiros apresentou crescimento de 30% entre abril e maio, de acordo com estimativa da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), sinalizando uma recuperação do setor.

“Tudo indica que o ponto mais baixo para o setor aéreo se deu em abril. Em maio, o setor começa a se recuperar, principalmente na região Ásia Pacífico, ajudado por uma mistura de tarifas mais baixas e relaxamento das normas de isolamento social em alguns mercados”, afirmou Brian Pearce, economista-chefe da Iata, em apresentação on-line.

O presidente da Iata, Alexander de Juniac, disse que o crescimento observado nos dados preliminares de maio se deu sobre uma base muito pequena, equivalente a 5,7% do tráfego registrado em abril de 2019.

Ian Waldie/Bloomberg

O resultado de abril deste ano foi 94,3% menor que o de um ano antes, o que representou a maior queda já registrada pela associação, que começou a publicar estatísticas do setor em 1990.

A oferta de assentos caiu 87% na mesma base de comparação. A taxa média de ocupação dos voos foi de 36,6% em abril, com queda de 46,6 pontos percentuais.

“A confiança na economia está melhorando em mercados importantes, como China, Alemanha e Estados Unidos, um sinal positivo para o setor aéreo”, afirmou Juniac. Segundo ele, houve recuperação da demanda por voos domésticos em países como China, Coreia do Sul, Austrália, Vietnã e Nova Zelândia.

Ainda assim, os voos aéreos diminuíram 88,5% na Ásia Pacífico em relação a abril do ano passado. Na América do Norte, a queda foi de 96,6%; na Europa, de 98,1%; na América Latina, de 96%.

Globalmente, o transporte aéreo de passageiros em voos internacionais teve retração de 98,4% em abril, enquanto o transporte em voos domésticos encolheu 86,9%.

Juniac disse que, enquanto a recuperação em voos domésticos já começou a ser observada em maio, em voos internacionais a recuperação será bem mais lenta, levando “alguns anos” para voltar aos níveis do ano passado.

No Brasil, o transporte de passageiros em voos domésticos caiu 93,1% em abril. A oferta de assentos diminuiu 91.4%. A taxa de ocupação dos voos ficou em 65,9%, com queda de 15,9 pontos percentuais em relação a abril de 2019.

De acordo com a Iata, o preço médio das passagens aéreas em voos domésticos caiu 23% no período, em uma tentativa das empresas de atrair mais consumidores em meio à pandemia de covid-19.

“As companhias aéreas precisam de dinheiro por causa da crise e estão tentando incentivar os consumidores com tarifas mais baixas”, acrescentou Brian Pearce. Na China, por exemplo, o preço médio das passagens foi reduzido em 40%.

Alexander de Juniac defendeu que os governos da América Latina forneçam mais suporte às empresas aéreas.

“No Brasil, o governo adotou iniciativas para dar suporte às companhias aéreas. Mas este não é o caso do restante da América Latina. Todas as empresas da região estão em apuros e duas grandes companhias já estão em recuperação judicial”, afirmou Juniac, em referência à Latam Airlines e à Avianca Holdings, as duas maiores empresas aéreas da região.

O executivo acrescentou que o setor aéreo em todo o mundo enfrenta dificuldades financeiras devido à forte queda na demanda e ao aumento nos custos operacionais causados pela pandemia.