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IA transforma jogadores virtuais em "craques" ao assistir jogos do futebol

Pesquisadores do projeto DeepMind London, do Google, estão ensinando jogadores animados a competir numa versão realista de futebol virtual. O objetivo é fazer com que eles joguem individualmente ou em equipe, imitando o comportamento de jogadores de verdade.

Segundo os cientistas, um novo grau de programação de inteligência artificial (IA) e redes de aprendizado profundo foram utilizados para ensinar os personagens virtuais a jogar futebol, sem a necessidade de um banco de dados contendo todas as regras do jogo.

“A ideia por trás dessa nova abordagem de programação é fazer com que os jogadores de futebol simulados em um ambiente virtual aprendam a jogar da mesma forma que os seres humanos, ou seja, observando como os outros fazem”, explica o engenheiro Siqi Liu, autor principal do estudo.

Resenha antes do jogo

Antes de conseguir desempenhar algumas funções básicas do esporte — como driblar, tocar ou passar a bola para um companheiro de “time” — os jogadores simulados em computador tiveram primeiro que aprender como andar, correr e, por fim, como chutar uma bola virtual.

Personagem humanoide aprendendo a atravessar uma pista de obstáculos (Imagem: Reprodução/DeepMind London)
Personagem humanoide aprendendo a atravessar uma pista de obstáculos (Imagem: Reprodução/DeepMind London)

A cada novo nível de aprendizagem, os sistemas de inteligência artificial exibiam vídeos de jogadores de futebol do mundo real. Essa abordagem permitiu que os bots aprendessem também a imitar as maneiras e os trejeitos dos atletas profissionais enquanto eles se movimentavam pelo gramado.

“Em vez de dizermos para cada jogador virtual como ele deve se comportar em campo, nós deixamos que o sistema aprendesse por meio da observação. Isso deu ao conjunto uma fluidez de movimentos muito mais natural, semelhante ao que vemos em jogadores de carne e osso”, acrescenta Liu.

Jogo de equipe

Depois de aprender a jogar sozinhos, os bots foram colocados uns contra os outros, simulando uma competição de verdade. À medida que suas habilidades em campo melhoravam, mais jogadores eram adicionados ao grupo, até formarem equipes competindo entre si.

Bots aprendendo a imitar os movimentos de um jogador de verdade (Imagem: Reprodução/DeepMind London)
Bots aprendendo a imitar os movimentos de um jogador de verdade (Imagem: Reprodução/DeepMind London)

Conforme os jogadores utilizavam a inteligência artificial para aprender mais obre o funcionamento do jogo, mais bots eram adicionados ao sistema. Com isso, a partir de um determinado momento, cada jogador virtual começou a complementar a ação do outro, indicando que, mais do que jogadores juntos, eles formavam um time.

“Nosso sistema ainda é rudimentar, pois nesse jogo nenhuma falta é marcada e também existe um limite invisível, impedindo que a bola saia de campo. Outro fator que precisamos melhorar é o tempo longo de aprendizado, o que pode inviabilizar a transferência dessa tecnologia para robôs do mundo real”, encerra Siqi Liu.

Fonte: Canaltech

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