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Humanos poderiam se manter por 100 mil anos na Lua usando oxigênio do regolito

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Para que a humanidade consiga estabelecer sua presença permanente na Lua, é necessário garantir recursos vitais, como o oxigênio. Há bastante deste elemento por lá, aprisionado no regolito — a camada de poeira e rochas que cobrem a superfície lunar — e a tecnologia é uma aliada nesta missão. Mas o nosso satélite natural teria oxigênio suficiente para sustentar a vida humana por longos períodos?

Em outubro deste ano, a Agência Espacial Australiana firmou um acordo com a NASA para o desenvolvimento de um rover, com previsão de ser lançado no início de 2026. O objetivo da missão será analisar o oxigênio disponível no regolito lunar para garantir a presença humana permanentemente na superfície da Lua. O professor de ciência do solo John Grant, da Southern Cross University, explica que minerais como sílica, alumínio e óxidos de ferro dominam a paisagem lunar.

(Imagem: Reprodução/ESA/P. Carril)
(Imagem: Reprodução/ESA/P. Carril)

Todos estes minerais contêm oxigênio, mas não da maneira que nossos pulmões consigam acessar. Grant diz que o regolito lunar é composto, aproximadamente, de 45% de oxigênio e é necessário bastante energia para extraí-lo. A eletrólise é o processo pelo qual a manufatura produz alumínio aqui na Terra. Basicamente, uma corrente elétrica é conduzida por alumínio líquido por meio de dois eletrodos e, assim, o alumínio se separa do oxigênio.

Na Terra, o oxigênio é um subproduto da eletrólise, mas, na Lua, ele seria o principal produto. Embora seja um processo simples, ele demanda muita energia e, por isso, será preciso garantir também fontes de energia a partir da superfície lunar, como painéis solares. Além disso, Grant ressalta que extrair o oxigênio por lá exigiria equipamentos industriais que convertam o óxido de metal sólido em sua forma líquida — seja aplicando calor ou solventes.

Concepção artística de um reator para extração de oxigênio do solo lunar (Imagem: Reprodução/Space Applications Services)
Concepção artística de um reator para extração de oxigênio do solo lunar (Imagem: Reprodução/Space Applications Services)

No começo deste ano, a startup bélgica Space Applications Services revelou estar desenvolvendo três reatores experimentais para aprimorar o processo de extração de oxigênio a partir da eletrólise. Ao que tudo indica, as tecnologias serão enviadas a Lua até 2025, através do programa de utilização de recursos in-situ (ISRU na sigla em inglês) da Agência Espacial Europeia (ESA). Mas, afinal, quanto oxigênio poderia ser extraído da superfície lunar?

Segundo Grant, apenas analisando regolito lunar, facilmente acessado na superfície, é possível fazer algumas estimativas. Ele diz que cada metro cúbica de regolito contém, em média, 1,4 tonelada de minerais — sendo 630 kg de oxigênio. De acordo com a NASA, um humano precisa respirar 800 gramas de oxigênio ao dia — ou seja, 630 kg seria o suficiente para uma pessoa respirar por, aproximadamente, dois anos.

Supondo que a camada de regolito lunar tenha, em média, 10 metros de profundidade e seja possível extrair todo o oxigênio, Grant explica que seria o suficiente para sustentar toda população mundial (cerca de 8 milhões) por um período de 100.000 anos na superfície lunar. “Isso também dependeria da eficácia com que conseguimos extrair e usar o oxigênio. Independentemente disso, esse número é incrível!”, acrescenta o professor.

Fonte: Canaltech

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