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Huawei vende a marca Honor, afetada por sanções dos Estados Unidos

Dan Martin
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Um dos diretores da Huawei, George Zhao, apresenta os smartphones Honor 20 Series, em 21 de maio de 2019 em Londres
Um dos diretores da Huawei, George Zhao, apresenta os smartphones Honor 20 Series, em 21 de maio de 2019 em Londres

O grupo chinês de telecomunicações Huawei anunciou nesta terça-feira a venda de sua marca de telefones Honor, uma operação necessária, segundo a empresa, para salvar a mesma do que chamou de "terríveis" pressões provocadas pelas sanções americanas na rede de abastecimento.

O grupo privado com sede em em Shenzhen (sul da China) está no alvo do governo do presidente Donald Trump, que suspeita de espionagem para o governo chinês, algo que a empresa nega.

A Huawei, uma das três principais fabricantes de smartphones do mundo, entrou no ano passado em uma lista de Washington para ser impedida de adquirir tecnologias e componentes indispensáveis para seus telefones.

Um consórcio de 40 empresas chinesas comprou a Honor, incluindo distribuidores, agentes e outras companhias cuja sobrevivência depende da marca, que vende telefones baratos, informaram a Huawei e o consórcio.

O gigante chinês afirma que a produção enfrenta "terríveis pressões", pois o grupo não consegue suprimentos de componentes eletrônicos devido às sanções americanas.

"A venda ajudará os vendedores e fornecedores da Honor a superar este período difícil", afirmou a empresa em um comunicado. A ideia é que ao sair da órbita da Huawei, a Honor consiga retomar a linha normal de abastecimento.

A Honor, marca destinada principalmente aos jovens de baixa renda, vende, segundo a Huawei, quase 70 milhões de telefones por ano.

Após a venda, a Huawei não tem mais nenhuma ação e "não está envolvida na gestão do negócio nem na tomada de decisões da nova empresa Honor", explicou o grupo.

O governo americano adotou medidas para expulsar a Huawei do mercado nos Estados Unidos, dissuadir as empresas americanas de colaborar com o grupo chinês e cortar o fornecimento mundial de semicondutores e outros componentes.

O passado militar do fundador da empresa, Ren Zhengfei, assim como o fato de ser membro do Partido Comunista Chinês, alimenta as suspeitas sobre a influência do regime no grupo.

Washington intensificou as pressões sobre os aliados para que proíbam os equipamentos 5G da Huawei, alegando riscos em termos de cibersegurança.

A empresa chinesa nega de maneira categórica as acusações americanas e atribui a ofensiva ao desejo do governo americano de eliminar um rival poderoso.

De fato, a venda da Honor afetará a empresa nas vendas mundiais de smartphones, uma disputa que trava com a sul-coreana Samsung e com a americana Apple.

A Huawei se tornou a líder mundial no segundo trimestre de 2020, antes de cair para o segundo lugar no terceiro trimestre, de acordo com a consultoria Canalys.

"Esta aquisição é um investimento determinado pelo mercado para salvar a rede industrial da Honor", afirmou o consórcio de compradores.

"É a melhor solução para proteger os interesses dos consumidores, dos vendedores, dos fornecedores, sócios e funcionários da Honor".

Entre os compradores estão empresas cotadas na Bolsa, incluindo o gigante das vendas online Suning.com.

A Huawei recebeu uma série de notícias ruins nas últimas semanas.

No fim de outubro, o grupo anunciou uma forte desaceleração do volume de negócios em nove meses.

Também ficou de fora da futura rede 5G na Suécia após uma decisão similar alguns meses antes do Reino Unido. A justiça sueca, porém, suspendeu a exclusão enquanto examina os méritos da questão.

dma/ehl/roc/af/dga/fp