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Huawei ganha mais três meses de licença para negociar com empresas dos EUA

Felipe Junqueira

A novela Huawei x EUA segue em mais um capítulo. O governo americano acaba de conceder uma nova extensão de três meses na licença à empresa e suas afiliadas para negociar com companhias dos Estados Unidos. Um documento do Departamento de Comércio publicado nesta segunda-feira (18) estabelece o dia 16 de fevereiro para a proibição passar a valer.

Apesar de mais esta extensão, a Huawei não parece acreditar em uma solução final no curto prazo. Há poucos dias, o vice-presidente da companhia, Vincent Pang, anunciou que a empresa se prepara para substituir o Android até o segundo semestre de 2020. A companhia ainda considera que o lançamento global do Mate 30 já foi perdido.

O problema é que, além de não poder fornecer equipamentos e serviços para operadoras e outras companhias americanas, a Huawei também foi banida de negociar com qualquer empresa sediada nos EUA. E isso inclui, além de Qualcomm e Intel, o Google, desenvolvedor do Android.

E o problema não é apenas o sistema operacional em si, mas também os serviços do Google. Sem negociar com a gigante das buscas, a Huawei tem dificuldade em garantir que serviços como Gmail, Waze e outros funcionem em seus dispositivos. E ter que fazer gambiarras no telefone para usá-los não é algo que qualquer usuário topa.

O argumento da administração Trump para barrar empresas americanas de negociarem com a Huawei é que a empresa colabora com o governo chinês e espiona os usuários. A empresa nega. E, por enquanto, segue fornecendo principalmente para algumas operadoras em áreas rurais dos EUA, que sofreriam um apagão caso a proibição seja levada a cabo.

Assim, a Huawei vai sobrevivendo com essa licença temporária de três meses, que agora foi estendida pela segunda vez. Mas, ao que tudo indica, Google não quer pagar para ver até quando o governo vai aceitar prolongar a permissão.

A Huawei ainda não se pronunciou sobre a nova prorrogação. EUA e China seguem com as negociações para um acordo comercial — e Trump já admitiu que poderia incluir a Huawei nessas negociações.

Fonte: Canaltech

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