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Huawei crê que atingirá a liderança do mercado de celulares mesmo sem o Google

Felipe Demartini

O CEO da Huawei, Ren Zhengfei, voltou a afirmar que a fabricante pode chegar ao posto de maior fabricante de smartphones do mundo mesmo sem a parceria com o Google. De acordo com o executivo, ultrapassar a Samsung e assumir a ponta só deve levar um tempo maior do que o esperado, já que a companhia trabalha atualmente no que ele chamou de “plano de backup em grande escala”.

Zhengfei não deu mais detalhes sobre o que seria esse projeto, mas toda a lógica aponta para o Harmony OS, o sistema operacional proprietário da Huawei que, ora é citado como uma alternativa ao Android, ora é categorizado pela empresa como uma solução maior. Seja como for, é ele quem deve vir embarcado nos smartphones da marca, caso ela não consiga uma autorização do governo dos Estados Unidos para retomar a parceria com o Google.

Segundo o CEO, essa permissão ainda não foi dada à criadora do Android, mas, ao mesmo tempo, a Google também não recebeu uma negativa oficial. O departamento de comércio dos EUA começou, nesta semana, a emitir as primeiras licenças para que companhias americanas voltassem a fazer negócios com a fabricante chinesa. A Microsoft foi uma das primeiras a ter essa liberação confirmada.

A emissão de licenças não derruba o banimento imposto à Huawei desde maio deste ano, quando Donald Trump ordenou o fim dos negócios com ela sob risco de segurança nacional. A ideia das permissões é reduzir a disrupção causada pela decisão arbitrária, desde que as operações passem por um escrutínio prévio das autoridades, somente sendo aprovadas caso não representem ameaça à soberania do país devido a uma suposta relação de espionagem entre a fabricante e o governo da China, que o próprio Zhengfei sempre negou existir - e Trump nunca conseguiu provar.

Seja como for, o Google permanece impedido de negociar com ela e, sendo assim, os aparelhos da Huawei não podem contar com os serviços da empresa como parte de seu pacote do Android. Isso levou, por exemplo, a um lançamento limitado do topo de linha Mate 30, que chegou à Ásia e a alguns países do Ocidente, mas sem o impacto que deveria ter em sua categoria.

É justamente para esse lado do mundo que o CEO da Huawei volta a seu olhar. Para ele, a liderança na Ásia continua assegurada mesmo sem o Google, enquanto o domínio do mercado ocidental “deve levar um pouco mais de tempo” caso o tal plano de backup tenha que ser ativado. Sobre isso, entretanto, Zhengfei dá uma previsão: os lançamentos devem chegar, mais tardar, até 2021, caso essa adaptação seja necessária.

Executivos da Huawei, incluindo o próprio CEO, já disseram que a empresa está pronta para trocar imediatamente do Android para o Harmony OS caso isso seja necessário. Enquanto isso, demonstra ampla saúde financeira já que, mesmo com o banimento, vem apresentando crescimento de mais de 20% a cada trimestre, o que inclui, também, a demanda por seus smartphones, que tiveram alta de 26% entre janeiro e setembro deste ano.

Em um momento de incertezas, a Huawei parece estar certa do caminho a seguir. Resta, porém, a questão do suporte de desenvolvedores a mais uma opção de sistema operacional. É justamente por isso que, para ela, apostar em uma solução própria é o “último recurso”. Mas eempresa está disposta a adotar caso seja necessário.

Fonte: Canaltech

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