Mercado abrirá em 2 h 58 min

HSBC retoma plano de demitir 35 mil funcionários

Alfred Liu e Harry Wilson

(Bloomberg) -- O HSBC retomou o plano de cortar 35 mil empregos, três meses após o surto de coronavírus ter paralisado a esperada reorganização para aumentar a rentabilidade.

“Desde fevereiro, avançamos em alguns aspectos do nosso programa de transformação, mas agora precisamos olhar para o longo prazo e avançar em outros, inclusive reduzindo nossos custos”, disse o CEO Noel Quinn em memorando publicado na quarta-feira.

O banco se une a rivais como Deutsche Bank e UniCredit ao seguir em frente com cortes de empregos que foram suspensos no início da pandemia. O HSBC também enfrenta maiores tensões globais, pois seu apoio à planejada lei de segurança de Hong Kong da China criou desafios em seu principal mercado.

O Unite, sindicato de trabalhadores que representa alguns dos funcionários do banco no Reino Unido, disse que a notícia causaria “grande apreensão”. “A pergunta que deve ser feita hoje é: ‘Por que agora, HSBC?’”, disse Dominic Hook, representante nacional do sindicato.

O recente apoio do HSBC à China atraiu críticas de políticos dos EUA e do Reino Unido, segundo os quais a lei de segurança proposta pode oprimir as liberdades prometidas sob a política “um país, dois sistemas” que orientou a devolução da ex-colônia britânica ao domínio chinês em 1997. Um dos principais acionistas do banco, a Aviva Investors, classificou a decisão de “desconfortável”.

Venda de ativos

Em fevereiro, Quinn apresentou uma reestruturação que envolveria a redução da força de trabalho, de 235 mil pessoas, em cerca de 35 mil nos próximos três anos. O banco tem como meta cortes de custos de US$ 4,5 bilhões em unidades com baixo desempenho.

A Europa e os EUA devem sentir o maior impacto dos cortes, pois o HSBC tenta reformular os negócios em regiões onde enfrenta dificuldades para dar lucro. A divisão global de bancos e mercados, que inclui a unidade de consultoria corporativa, deve enfrentar reduções significativas em áreas como vendas e negociação de ações.

O HSBC também está de olho na venda de alguns de seus ativos e já busca comprador para as operações de varejo na França, cuja venda reduziria milhares de funcionários da folha de pagamento.

A retomada do plano foi divulgada anteriormente pela Reuters.

“Apesar dos compromissos dos bancos em reter funcionários durante a crise da pandemia, acreditamos que é apenas questão de tempo até que planos significativos de redução de custos sejam anunciados ...”, disse em relatório John Cronin, analista da Goodbody.

For more articles like this, please visit us at bloomberg.com

Subscribe now to stay ahead with the most trusted business news source.

©2020 Bloomberg L.P.