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Hotel Glória vira prédio residencial com apartamentos a partir de R$ 1,9 mi

***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 21.07.2021 - Fachada do prédio do antigo Hotel Glória, no Rio de Janeiro. (Foto: Tércio Teixeira/Folhapress)
***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 21.07.2021 - Fachada do prédio do antigo Hotel Glória, no Rio de Janeiro. (Foto: Tércio Teixeira/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Fidel Castro, Yuri Gagarin, Albert Einstein e Marilyn Monroe foram alguns dos nomes internacionais que viram a vista do Rio de Janeiro pelas janelas do icônico Hotel Glória.

De frente para a baía de Guanabara e vizinho de calçada do Palácio do Catete, sede da Presidência da República até o Rio de Janeiro deixar de ser capital federal, em 1960, o hotel foi testemunha de euforias e crises vividas pelo Rio dos últimos cem anos -e ele próprio foi vítima de uma delas.

Fechado desde 2008 por negociações malsucedidas, uma nova fase da história do prédio foi lançada nesta quinta-feira (10), agora como empreendimento residencial de luxo.

O Glória Residencial Rio é liderado pelo Banco Opportunity, que comprou o prédio, e pela SIG Engenharia. A entrega está prevista para 2026.

Com decorados assinados por Patrícia Anastassiadis e paisagismo do escritório de Burle Marx, o Glória Residencial tem planos de 266 apartamentos entre 77 m² e 311 m², com até quatro suítes.

O metro quadrado custa a partir de R$ 25 mil, o que significa que o menor apartamento custa R$ 1,92 milhão.

O terreno custou R$ 100 milhões e as obras estão orçadas em R$ 250 milhões. Com decoração e demais despesas, o valor total do investimento é R$ 400 milhões.

"O projeto tem que se adequar às novas condicionantes. Na época em que o hotel funcionava não havia tanta demanda por ar-condicionado, equipamentos de cozinha como micro-ondas, essas instalações não eram previstas. O prédio é antigo, então os desafios de estrutura foram grandes", disse Jorge Mauricy, diretor da SIG Engenharia.

A fachada do hotel, preservada por lei, será mantida, com leves alterações. A inscrição Hotel Glória, por exemplo, será substituída por Glória Residencial.

"A gente precisou do apoio dos órgãos para fazer a conversão para o residencial. As conversas com a prefeitura e Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional] para um patrimônio histórico não ficar abandonado foi fundamental", afirmou Cristina Gravina, do Grupo Opportunity.

O Hotel Glória foi projetado originalmente pelo arquiteto francês Joseph Gire, o mesmo que desenhou o Copacabana Palace e o Palácio das Laranjeiras. Concorrente do Copa Palace em glamour, o Glória ficou famoso pelos luxuosos concursos de fantasias de Carnaval e por um barraco protagonizado pela atriz norte-americana Ava Gardner (1922-1990).

De passagem pelo Brasil na década de 1950, Gardner quebrou móveis e objetos do quarto, discutiu com gerentes e foi expulsa pelo dono do hotel, Eduardo Tapajós. Depois da briga, foi se hospedar no Copacabana Palace. Tapajós administrou o empreendimento até 1998, quando desapareceu em um acidente de helicóptero.

A família de Tapajós seguiu à frente do hotel até 2008, ano em que, ainda em funcionamento, foi vendido por R$ 80 milhões ao empresário Eike Batista. O ex-bilionário prometeu transformá-lo em hotel seis estrelas até a Copa do Mundo de 2014, mas as obras pararam no ano anterior -assim como muitas promessas não cumpridas no Rio pré-Copa.

Desde então, o hotel passou por várias mãos. Em 2014, o grupo REX, braço imobiliário do Grupo EBX, de Eike, vendeu o hotel para o fundo suíço Acron AG por R$ 225 milhões, com o desejo de reformá-lo até a Olimpíada de 2016.

Mas um atraso nos procedimentos legais para a conclusão da venda, como a emissão de certidões, fez o fundo suíço desistir do negócio em 2016.

No mesmo ano, o hotel foi vendido ao Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi, como parte de uma negociação com o grupo de Eike. O Mubadala havia feito um aporte de US$ 2 bilhões à EBX em 2012. Após o fim das empresas X, o fundo converteu a participação de Eike em dívida e, assim, em 2016, recebeu o hotel como parte do pagamento com outros ativos.

A última passagem de bastão aconteceu em 2020, quando o fundo de investimento imobiliário Opportunity adquiriu o hotel com a promessa de transformá-lo em um edifício residencial.

Parte dos interessados em adquirir apartamentos no novo edifício é de empresários do agronegócio. "Tem uma tendência grande do agronegócio para vir para cá. Temos planos de anunciar o Glória em Cuiabá, Goiás e Paraná", disse Gravina.