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Indígena morre após chacina PM contra aldeia no Mato Grosso do Sul

Indígena ferida após ação da PM em Amambaí. Foto: Articulação dos povos indígenas do Brasil (Apib)
Indígena ferida após ação da PM em Amambaí. Foto: Articulação dos povos indígenas do Brasil (Apib)

O Hospital de Amambaí, em Mato Grosso do Sul, confirmou na noite desta sexta-feira a morte de um dos indígenas atingidos durante ação da Polícia Militar do estado em uma área reivindicada pelo povo da etnia Guarani Kaiowá. Os disparos teriam sido efetuados desde as 10h até o início da tarde, quando um homem, que não teve a idade revelada, foi atingido por vários disparos e não resistiu.

O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) havia afirmado na tarde desta sexta-feira que seis pessoas ficaram feridas após a operação no local. O Batalhão de Choque teria sido acionado para conter uma ocupação em uma propriedade rural. Os militares teriam entrado em confronto com indígenas, e três policiais foram baleados, de acordo com o Batalhão de Choque.

Em nota, a Polícia Federal informou que compete a ela "apenas garantir a integridade de “comunidades indígenas”, quando estas se encontrarem em risco". Ainda segundo o comunicado, o órgão informou que "equipes da Delegacia de Polícia Federal de Ponta Porã, responsável pela circunscrição do município onde ocorre o conflito, estão na região avaliando a situação".

Segundo informações do portal Primeira Página, a vítima teria sido atingido por três disparos. Procurada pelo GLOBO, a PM confirmou a ação, mas não repassou número de feridos ou se houve óbitos. O CIMI informou que duas pessoas tinham sido encaminhadas para Campo Grande.

Além deles, o órgão afirmou que há três indígenas desaparecidos, entre mulheres e crianças, no município de Naviraí, em outra ação, feita por indígenas Kaiowá e Guarani na noite desta quinta-feira, para recuperar parte do território ancestral denominado Kurupi/São Lucas. Em comunicado, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) informou que a ação da PM teria ocorrido sem ordem judicial.

Na noite desta quinta-feira, um grupo com cerca de 25 indígenas teriam ocupado a Fazenda Tejui, a cerca de 14 km de Naviraí, na região de Dourados. Segundo a polícia, os nativos teriam feito os moradores da propriedade reféns e os expulsaram da casa, o que teria dado início à ocupação da sede e das estradas de acesso ao local.

"Na noite dessa quinta-feira (23), o clima já era de tensão e a ação da polícia e fazendeiros se premeditava. Diante das informações dos feridos, do contingente populacional local e do histórico de violência na região, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) teme que a situação evolua rapidamente para um novo episódio de massacre contra os Guarani Kaiowá, como o ocorrido em 2016, em Caarapó (MS)", informou o Cimi em nota.

\Ainda segundo a entidade, a reserva de Amambai é a segunda maior do estado de Mato Grosso do Sul em termos de população, com quase 10 mil indígenas. Os Guarani Kaiowá defendem que a região é parte de um "território tradicional que lhes foi roubado", pertencente à reserva de Amambaí.

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