Hondurenho narra em livro como viajou sozinho aos EUA aos 9 anos

Atlanta (EUA), 26 dez (EFE).- Com apenas nove anos de idade, o hondurenho Kevin Candelario viajou sozinho como imigrante ilegal de seu país rumo aos Estados Unidos, atravessando várias cidades do México, em uma experiência que narra no livro "Perdido na América" para inspirar outros migrantes a seguir seus sonhos.

Em sua obra, o autor, que atualmente tem 18 anos, conta o percurso que empreendeu sozinho em 2003 na busca de uma vida melhor e do reencontro com sua mãe.

"Era difícil ir viajando por muitos lugares com pessoas que eu não conhecia, mas eu tentava pensar apenas que no final ia voltar a estar com minha mãe", disse à Agência Efe Candelario ao lembrar sua travessia após deixar Mar Azul, seu povoado natal.

A decisão de deixar Honduras se deu após a morte de sua avó, que o criava desde a partida de sua mãe aos Estados Unidos, poucos anos antes.

Após viajar por mais de um mês por várias cidades do México, passar por blitz com o temor de ser detido e caminhar por horas na escuridão da noite, chegou o encontro com sua mãe.

"Havia momentos nos quais eu só queria retornar a Honduras porque não conhecia ninguém das pessoas com que viajava e tinha o temor que me deixassem ali", lembrou Candelario sobre a experiência de viajar com um "coiote" com apenas nove anos.

"Eu queria fazer algo para apoiar outros jovens imigrantes ilegais (...) e isso me motivou a escrever o livro, que os políticos vejam que queremos estudar e seguir em frente", declarou o jovem.

Candelario, que se inscreveu no programa de ação diferida aprovado recentemente pelo presidente dos EUA, Barack Obama, para atrasar a deportação de jovens imigrantes que chegaram quando crianças ao país, tenta "convencer" legisladores e outros líderes políticos sobre os benefícios do "Dream Act".

Esse ato, estagnado no Congresso há anos, contempla a legalização de estudantes imigrantes ilegais que chegaram aos EUA antes dos 16 anos, que estão no país há pelo menos cinco anos e que cursaram dois anos de estudos universitários ou se inscrevam nas Forças Armadas, entre outros requisitos.

Candelario atualmente vive cortando gramado junto com um amigo, mas sonha em retornar em breve para sua Honduras e abrir um negócio de exportação de café aos EUA. EFE

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