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Homenagens e gritos de torcida em emocionante despedida do ídolo Maradona

Sonia AVALOS, Yemeli ORTEGA
·2 minuto de leitura
Milhares de argentinos fazem longas filas para entrar na Casa Rosada e se despedir do falecido craque Diego Armando Maradona no dia 26 de novembro de 2020 em Buenos Aires

A paixão e o fervor futebolístico transbordaram da popular despedida a Diego Armando Maradona, homenageado com elogios e canções da torcida em um velório na sede do governo após sua morte na quarta-feira aos 60 anos.

Depois de uma noite de vigília na emblemática Praça de Maio, milhares de pessoas começaram às 6h00 a caminhar em direção ao caixão coberto com a bandeira da Argentina, a camisa do '10' da seleção nacional e de seu querido Boca Juniors, na Casa Rosada.

Na fila interminável que serpenteia pela praça histórica, o clima é semelhante ao anterior de um clássico, com gritos de torcida, bandeiras e aplausos espontâneos.

"Olé, olé, Diego, Diego!" alguns gritam e pulam, como se esperassem para entrar em um estádio. Mas ao passar pelo portão de entrada, a tristeza e as lágrimas dominam.

- Luto nacional -

À medida que passam, uns choram, muitos rezam e outros vão acrescentando ao caixão um monte de flores e camisas de futebol de todas as cores.

Uma enorme fita negra atravessa a entrada da Casa Rosada, que exibe a bandeira a meio mastro em sinal do luto nacional por três dias decretado pelo governo após a morte.

Antes de entrar, cada um passa por um controle policial rigoroso e, lá dentro, é proibido de usar o celular para evitar fotos.

"Foi embora o maior jogador de futebol da história, estou muito triste, mas agora ele é infinito, será para sempre", disse José Rojo, um eletricista de 25 anos, à AFP ao deixar a Casa Rosada.

Ele passou a noite na praça para entrar apenas alguns segundos nessa despedida acelerada por agentes de segurança.

O velório terminará às 16h00 a pedido da família, que permanece na Casa Rosada, mas protegida da imprensa.

- "A magia do mestre" -

Pessoas de todas as idades e famílias com seus filhos pequenos vieram para ver o ídolo.

“A magia e a genialidade do maestro Maradona ultrapassaram fronteiras e venho dedicar todo o meu carinho a ele”, explica Cristian González, peruano que mora na Argentina há uma década.

Enquanto faz fila para entrar em uma manhã quente e ensolarada em Buenos Aires, ele agarra uma camisa da seleção argentina no peito. Nela desenhou as bandeiras da Argentina e do Peru com a frase "Diego, o Peru também chora por você".

“Moro na Villa 31, venho de baixo como Diego”, explicou ao relembrar o humilde bairro de Maradona, em Villa Fiorito, na periferia sul de Buenos Aires, “privado de luz, água, de tudo”, como já declarou o camisa 10.

“Estamos muito chocados com a morte, ele foi e será para sempre a inspiração para gerações do futebol”, disse antes de gritar “obrigado, Diego!”.

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