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Homem viajou o mundo todo antes dos 30 com US$ 20 por dia; conheça a história

SÃO PAULO – Aos 28 anos, o dinamarquês Henrik Jeppesen já conheceu todos os países do mundo, completou dez passaportes e viajou por mais de três mil dias. Ele levou dez anos e cerca de 900 voos para visitar todos os 193 países reconhecidos pela ONU (Organização das Nações Unidas), tudo isso gastando uma média de US$ 20 por dia.

Aspirante a viajante, estabeleceu quando adolescente um desafio: conhecer 50 países. Sua primeira viagem foi para o Egito, aos 17 anos, antes de seguir para o Sudeste Asiático. “Foi minha primeira viagem sozinho, meus pais tiveram até que preencher uma carta especial para que eu pudesse viajar”, contou em entrevista ao InfoMoney.

A partir daí sua história na estrada começou. Os dias passaram, carimbos foram preenchendo o seu passaporte, e ele aumentou seu objetivo para 100 países. Mais tarde, o desafio ficou pequeno para Henrik, que estipulou uma nova meta: conhecer todos os países do mundo.

Quando começou sua aventura, em 2006, Jeppesen tinha apenas US$ 2 mil no bolso. Quantia extremamente baixa, que não seria suficiente para completar sua jornada. Passou então, a trabalhar em sites e a vender planejamentos de viagem para pagar por suas experiências. Alguns dias ficava sem dinheiro na carteira e em outros gastava US$ 100 em um único visto.

Henrik estima que gastou uma média de US$ 20 por dia, o que totaliza US$ 60 mil pelos três mil dias que viajou. “Com certeza gastei bem menos do que seu eu continuasse morando na Dinamarca”, disse. Segundo ele, o objetivo era gastar o mínimo possível por dia, para que pudesse conhecer o máximo de lugares e conseguisse sobreviver. “Eu ficava na casa de pessoas locais ao invés de me hospedar em hotéis e viajava com companhas aéreas low-cost. Já cheguei a pagar € 3 por uma passagem”, conta.

O tempo em que permanece em cada país varia de acordo com o tamanho do destino e da localização. “Na Europa os países são menores, mais perto uns dos outros. Normalmente fico alguns meses. Já em países maiores, como o Brasil, fico por algumas semanas”.

Questionado a respeito de seu lugar favorito, respondeu: “Costumo dizer que o Brasil é o meu favorito, mas como estou falando com você, que é do Brasil, eu diria que gosto da África do Sul”, brinca. “As pessoas de lá [África do Sul] são simpáticas, as praias são lindas, as coisas são baratas e eles possuem os melhores restaurantes do mundo. Além disso, a natureza é maravilhosa”, disse. Quando veio ao Brasil, Henrik visitou as cidades de Salvador, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Fernando de Noronha, sua favorita.

“Não é preciso ser rico para viajar o mundo, mas é necessária muita coragem”, diz ao lembrar que deixou para trás a família, sua vida social e também, a faculdade. Apesar disso, afirma: “Foi a melhor decisão que eu poderia ter feito”. E completa entre risos: “Eu não gostava da escola”.

Hoje, Henrik trabalha vendendo a sua história: administra redes sociais de empresas de viagem, faz palestras, dá aulas, faz parcerias e também, ganha dinheiro com anúncios em seu blog, Instagram e Facebook. “Hoje eu digo que sou um nômade digital, já que não tenho um lugar fixo. Não importa onde eu esteja, só preciso de internet para poder ganhar dinheiro”, conta.

De volta à sua terra natal, Jeppesen está tirando a carta de motorista para poder, pela primeira vez, dirigir pelo mundo. Tendo conhecido todos os países reconhecidos pela ONU, quer agora visitar todos os territórios restantes, fazer uma expedição para a Antártida e viajar para todos os 50 estados dos Estados Unidos.

Para aqueles que têm o mesmo sonho que ele, recomenda: Não tenha medo. Comece viajando pelo seu próprio país, depois vá para países vizinhos e após isso, explore destinos mais longes. Procure ficar com as pessoas locais, por sites como Couchsurfing, foque em gastar o mínimo possível, acompanhe nas redes sociais as companhias aéreas de baixo custo, e assine a newsletter para aproveitar o máximo de promoções anunciadas. “Criar um blog também é uma ótima maneira de administrar a sua viagem e de ganhar dinheiro”, completa.