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'Hoje entendo a dor da mãe de Marielle', diz sogro de escritor assassinado no Rio

·3 min de leitura

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Morto do dia 10 deste mês, o escritor e capoeirista Leuvis Manuel Olivero deve ser enterrado nos Estados Unidos no final desta semana, afirmou o advogado Rodney Muniz, seu sogro.

Autor de um livro sobre a vereadora assassinada Marielle Franco, Olivero foi morto a tiros quando caminhava em uma rua da Tijuca, zona norte do Rio.

"O Leuvis era uma cara muito atencioso comigo, brincalhão, respeitador. Eu sentia prazer em ter ele na minha casa", diz Rodney, 57. "É como se não matassem uma única pessoa. É como se matassem uma família inteira. A cerveja já não tem mais gosto. A carne do churrasco não tem mais sabor."

O advogado diz que não conseguia mensurar o sofrimento de alguém que perde um ente querido. "Hoje, eu consigo. Hoje eu entendo a dor da mãe da Marielle, da irmã, esposa e do pai dela", diz. "Ele era o meu terceiro filho. A vida vai continuar, a gente vai seguir em frente, mas fica um pedaço."

O crime aconteceu no dia 10 deste mês, quando o escritor foi baleado após deixar a filha com a avó materna. Uma testemunha ouvida pela Folha diz que ação foi rápida e que os tiros partiram de um veículo que parou ao lado do escritor. Segundo a polícia, o carro usado no crime foi um Hyundai HB20 de cor escura.

Como nada foi roubado, a família acredita que o objetivo dos criminosos era matar o escritor, mas não sabe o que pode ter motivado o ataque. "Ele não tinha inimigos e nem problemas com ninguém", afirma Rodney, acrescentando que Leuvis também não recebia ameaças.

A polícia diz trabalhar com várias linhas de investigação, mas considera remota a hipótese de o crime ter ligação com o livro "Memória Viva."

Com pouco mais de 90 páginas, a obra se debruça sobre o legado de Marielle por meio dos grafites feitos para homenageá-la nos muros do Rio. Leuvis tinha 11 livros publicados.

A Delegacia de Homicídios da Capital diz por meio de nota que o inquérito está em fase de conclusão e que será enviado ao Ministério Público nos próximos dias.

Após o crime, mensagens nas redes sociais pediam que ele fosse elucidado. A vereadora Erika Hilton (PSOL-SP) escreveu que o caso precisa ser investigado forma urgente.

A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) fez coro ao pedido. "Leuvis escreveu livros sobre a execução política da nossa amiga Marielle Franco e sobre os crimes de Bolsonaro no poder. Exigimos investigação."

Nascido da República Dominicana, Leuvis tinha cidadania americana e morava no Brasil havia 10 anos. Segundo Rodney, ele desembarcou no país para escreveu um livro. Durante a viagem, teve uma filha, razão pela qual decidiu continuar morando aqui.

No começo da estadia, precisou morar na rua por dificuldades financeiras. Por isso, costumava visitar pessoas em situação de rua no bairro da Glória, na zona sul, e ensiná-las a tocar berimbau e pandeiro.

"Ele era uma pessoa boa", diz o advogado. "A ficha ainda não caiu. Não tive tempo para chorar nem para ter luto. Mas daqui a pouco vou me desmanchar, porque não tem como. Sinto muita falta dele."

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